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Com alta da Selic, pedidos de recuperação judicial crescem 20%

Nos primeiros meses de elevação da Selic, muitas empresas ainda conseguem postergar decisões mais estruturais, recorrendo a renegociações com instituições financeiras, alongamentos informais de prazos com fornecedores e uso intensivo de capital de giro. Com a manutenção dos juros em patamares elevados por um período prolongado, entretanto, o custo financeiro segue crescente, a dificuldade de rolagem das dívidas piora, e aumenta a compressão das margens operacionais, tornando a recuperação judicial uma saída mais frequente. Rodrigo Gallegos, sócio da RGF especialista em reestruturação

Despesas financeiras impactam lucro líquido. De fato, o aumento da Selic desde setembro do ano passado, atingindo o maior patamar desde 2006, elevou os custos financeiros das companhias, que gastam mais para rolar dívidas e tomar novos empréstimos. Segundo levantamento da Elos Ayta, as despesas financeiras dessas companhias aumentaram 21,6% em 12 meses, para R$ 85,8 bilhões, até o fim de setembro deste ano. Com isso, o saldo financeiro desse grupo piorou em 20,4%, atingindo R$ 48,4 bilhões nesse período.

Com Selic elevada, os balanços consolidados do terceiro trimestre de 2025 mostraram um mercado corporativo enfrentando pressões de custos, de despesas e de endividamento. Einar Rivero, sócio-diretor da Elos Ayta

Banco Central elevou juros para retomar controle da inflação. Segundo o órgão de política monetária, elevar a taxa básica Selic era necessário por ser a sua principal ferramenta para cumprir sua obrigação legal de impedir o aumento generalizado dos preços na economia. Quando o BC passou a elevar os juros, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do país, já vinha desde 2019 acima da meta, que é de 3% ao ano.

Setor de serviços tem maior número de empresas em recuperação judicial. Eram 1.207 companhias dessa área nessa situação em 30 de setembro deste ano, um aumento de 14,8% ante um ano antes. Na sequência, aparecem 1.168 CNPJs da indústria (alta de 6,2%), 1.086 do comércio (18,9%), 1.014 de construção, energia e saneamento (37,4%), 443 do agronegócio (67,8%) e 367 firmas de outras áreas.

Selic afeta receita e custos do varejo e dos serviços. Segundo o assessor econômico da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o economista André Sacconato, as taxas elevadas impactam as vendas a prazo, uma fatia relevante da receita de comerciantes, ao mesmo tempo em que encarecem o financiamento que o empresário precisa tomar para compor estoque e financiar o consumidor.

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