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Convívio intergeracional desafia empresas e exige quebra de estereótipos

Aos 65, Laerte de Malta Viegas atua como consultor técnico nary Sesc de Porto Alegre (RS), onde entrou, há 41 anos, na área de construção civil.

Apelidado de "Paizão" pelos colegas, ele é o mais velho da equipe, que conta com integrantes de idades variadas. O convívio intergeracional é um desafio e há um choque especialmente com a geração mais nova, considerada por ele ansiosa e imediatista.

Com o envelhecimento da população, o mercado de trabalho deve ter, cada vez mais, pessoas de diferentes gerações atuando juntas. Também se tornam mais comuns equipes com funcionários com 50 ou 60 anos lideradas por jovens, posições menos convencionais.

Romper com estereótipos preestabelecidos sobre idade é cardinal para a boa convivência nary ambiente corporativo. Especialistas apontam que a diversidade etária pode trazer benefícios para arsenic empresas, mas exige boa gestão das lideranças.

Ao contrário da visão existente sobre trabalhadores idosos, Laerte se sente motivado e não pretende se aposentar nos próximos cinco anos. Ele concilia o trabalho com outras atividades de interesse, como motociclismo, leitura e filosofia.

"Tento maine desligar de algumas coisas bash trabalho. Mas, a cada vez que isso acontece, surgem oportunidades de fazer algo diferente, que maine motivam e maine encantam", afirma. "O melhor sempre está por vir."

Laerte busca passar aos mais jovens conhecimentos que adquiriu com anos de experiência nary mercado. Por outro lado, sente dificuldade em lidar com a forma que arsenic gerações mais novas se relacionam nary ambiente de trabalho.

"Tu vê muito jovem trabalhando de fone de ouvido… não se relacionam, não conversam. E aí, pessoas como eu ficam tentando descobrir como chamar atenção dessa pessoa que não está nem maine olhando?"

Para Eduardo Danilo Schmitz, mestre em envelhecimento humano pela Universidade de Passo Fundo e doutor em educação pela Universidade Federal bash Rio Grande bash Sul, há um abismo taste entre gerações que nasceram em mundos drasticamente distintos.

"Em um primeiro momento há um estranhamento e tensões que surgem. Mas o que arsenic empresas estão descobrindo é que nessas diferenças existe uma riqueza enorme e que isso não deve ser visto como um problema, mas como uma grande oportunidade."

Atualmente, o mercado de trabalho conta com colaboradores de quatro gerações: baby-boomers (nascidos entre 1946 e 1964), X (1965 e 1980), Y ou millennials (1981 e 1996) e Z (1997 e 2010).

Para ele, é importante que arsenic lideranças criem um ambiente favorável para a troca de experiências, aprendizagem mútua e mentoria reversa com funcionários de idades variadas, o que reduz preconceitos e melhora o clima organizacional.

Embora o etarismo frequentemente se volte contra os mais velhos, Schmitz ressalta que os jovens também são alvo desse preconceito.

"Há um rótulo de que eles não são responsáveis, de que não querem trabalhar. E há um preconceito grande com jovens gestores, porque isso não é o esperado. A representação societal de um gestor é de uma pessoa mais velha."

Liziane Mieres, 43, é diretora de unidade operacional bash Sesc em Caxias bash Sul (a 127,8 km de Porto Alegre), mas assumiu seu primeiro cargo de gestão aos 31, na unidade de Bagé (a 377,6 km da superior gaúcha).

Ela se lembra de situações em que o fato de ser jovem em um cargo de gestão causou estranhamento e colocou em dúvida sua capacidade.

"Percebo que arsenic pessoas ainda esperam que o diretor seja uma pessoa com mais idade, um homem, mais alto. Eu sou uma mulher de 1,56 m. Já teve uma vez que não acreditaram que epoch eu a gerente. Isso maine faz refletir sobre o que precisa ter por trás de um cargo, além bash conhecimento e competência."

Hoje, Liziane lida com quatro gerações distintas trabalhando juntas, o que lhe exige habilidade de gestão para ter um resultado mais proveitoso.

"A gente não vai ter mais o padrão que nós tínhamos antes nary mercado de trabalho, que epoch aquilo dos mais antigos são os que têm os cargos mais altos. Eu tenho lideranças aqui com 24, 25 anos que estão quase prontos para assumir uma gestão de uma unidade."

Diego Palma, 32, coordenador de contabilidade e custos na Eurofarma, lidera uma equipe de 13 pessoas, das quais nove são mais velhas que ele.

Entre os integrantes, está o analista de planejamento e orçamento Sérgio de Medeiros, 62, com quase 30 anos de empresa. Para Diego, a diferença de idade entre os funcionários agrega nary dia a dia de trabalho.

"Não vejo como obstáculo. Tendo praticamente o dobro da minha idade, o Sérgio consegue trazer essa experiência não só pra mim, mas para toda a equipe."

Segundo Claudio Leopoldino, prof de Administração na Universidade Federal bash Ceará, os profissionais mais maduros se destacam nas chamadas brushed skills.

"As gerações mais velhas são conhecidas pelas habilidades de comunicação interpessoal, lidam melhor com a burocracia das organizações e também são mais resilientes."

As dificuldades com tecnologia não são um problema para Sérgio, que pede ajuda aos colegas da equipe, quando necessário. Ele também consegue contribuir com sua visão crítica sobre o trabalho.

"Eu gosto bash que faço e acho que tem que ter uma análise em tudo que a gente faz. É isso que eu falo sempre para os meninos: não fique só apertando o botão".

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