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Copom e diesel são péssimas notícias para Lula

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a economia vai sofrer mais. "Esperávamos no final de 2026 a Selic em 11,5%. Agora trabalhamos com 12,5%. Já há casas projetando 13, 13,5%. Os setores de bens duráveis sentem mais: imobiliário, automotivo, eletroeletrônico. Dependem muito de crédito", afirma.

Mercado vê tom leve do Copom

Mesmo assim, boa parte do mercado acha que o Copom "pegou leve" no comunicado ('dovish' no jargão da Faria Lima), apesar do corte de 0,25 pp ser amplamente esperado. Álvaro Frasson, do BTG Pactual, esperava comunicação mais assertiva, com menções não só às consequências da guerra e à elevação do preço do petróleo, mas também aos dados mais fortes de atividade econômica que o BC não comentou. "Sobre as variáveis externas que impactam o modelo, não apenas o preço do Brent teve forte apreciação na média dos últimos 10 dias úteis da semana anterior ao Copom, mas também toda a sua estrutura de preços futuros. Esperávamos um impacto maior na inflação projetada para o terceiro trimestre de 2027 (subiu de 3,2% para 3,3%)", comenta Frasson em relatório do banco.

Marcelo Bispo, economista da Onfield Investimentos, concorda: "Achei a estratégia acertada, mas o tom do comunicado me pareceu um pouco mais arriscado. Fiquei com a impressão de que o BC deu menos peso aos riscos inflacionários que esse cenário de conflito pode trazer, o que ainda torna tudo mais difícil de precificar no curto prazo", pondera.

Basicamente o Copom deixou a porta aberta para ampliar as reduções da Selic se o cenário externo desanuviar. Mas não fez menções a interrupção dos cortes se o ambiente piorar. Hoje o petróleo Brent é negociado perto dos US$ 115. Mas também é verdade que a função da Autoridade Monetária é enxergar o horizonte de médio e longo prazo, para além da volatilidade potencialmente passageira.

Diesel

E, para formar a tempestade perfeita, há risco de desabastecimento de diesel a partir de abril - mais conhecido como mês que vem -, segundo o presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). "As informações que temos de volume contratado para abril está muito abaixo da necessidade: 300 mil metros cúbicos. O Brasil precisa de até 1,4 milhão de metros cúbicos por mês. Mas com os preços artificialmente baixos praticados pela Petrobras, existe risco de desabastecimento, principalmente nas regiões que dependem mais de importação, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste", disse Araújo em entrevista ao "Mercado Aberto", do UOL. Segundo ele, o diesel vendido no Brasil apresenta defasagem de 67% em relação ao mercado internacional. Resumo: Petrobras terá que aumentar mais o preço.

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