O pré-candidato ao governo do Estado pelo PP, o deputado federal Covatti Filho afirma que o mais importante neste momento é construir um projeto para o Rio Grande do Sul, de modo que não descarta abrir mão da cabeça de chapa em favor de um movimento liderado por outra liderança. Alguns membros do PP defendem o apoio ao pré-candidato a governador, o deputado federal Luciano Zucco (PL); outros o sucessor escolhido pelo governador Eduardo Leite (PSD), o vice Gabriel Souza (MDB); e outros ainda defendem uma candidatura própria liderada por Covatti.
Aliás, os prefeitos, vices e vereadores no interior do Rio Grande do Sul têm manifestado o desejo de uma candidatura própria do PP. Covatti Filho, que também é o presidente estadual da sigla, quer liderar um projeto ao governo do Estado.
Em mais uma entrevista especial do Jornal do Comércio com os pré-candidatos ao Palácio Piratini, Covatti Filho também afirmou que o próximo governador vai precisar articular um movimento político para encontrar a melhor forma de o Rio Grande do Sul voltar a pagar as parcelas da dívida com a União.
Além disso, também disse que o Estado só deve decidir se vai aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) após a votação dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao texto aprovado no Congresso Nacional. O líder do PP avalia ainda a recomposição das perdas salariais dos servidores públicos, o saldo das reformas estruturais encaminhadas pelo governo Eduardo Leite e a possibilidade de privatização do Banrisul.
Jornal do Comércio – O projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), protocolado na Assembleia Legislativa pelo governador Eduardo Leite (PSD), prevê R$ 3,8 bilhões de déficit em 2026. Como vê isso?
Covatti Filho - A gente sabe que o Rio Grande do Sul está passando por um mau momento, porque teve uma série de situações, seja pela quebra de safra, enchente e outros eventos que fizeram o Estado mudar o foco para a recuperação da sua economia. Minha visão sobre os déficits é que os agentes políticos têm que entender cada vez mais sobre os problemas e tentar achar soluções. O PP foi parceiro nas reformas do Estado que levaram à diminuição da máquina pública, à privatização de estatais, mudanças nas carreiras e nas aposentadorias. Então, se hoje o Estado consegue fazer alguns investimentos apesar desse déficit, tem as mãos dos Progressistas na atuação pela aprovação das reformas. Então, cada vez mais, vejo, como pré-candidato a governador, que os agentes políticos precisam se rodear de pensadores e economistas para achar algumas saídas.
JC – Como o senhor mencionou, o PP atuou pelas reformas no governo José Ivo Sartori (MDB, 2015-2018) e na primeira gestão do governador Eduardo Leite (PSD), principalmente. Uma das críticas que os deputados estaduais fizeram ao orçamento foi que, apesar das receitas extraordinárias oriundas das privatizações, por exemplo, o Estado vai ter déficit. Como avalia essa crítica?
Covatti - Não concordo, nem discordo dessa afirmação. O Rio Grande do Sul está passando por uma série de problemas climáticos, que afetam muito a nossa receita. O principal foco do Rio Grande do Sul sempre foi a agropecuária, que está tendo anos desastrosos. A própria enchente interferiu muito.
JC – As reformas não equilibraram as contas ao ponto de evitar déficits por causa da enchente?
Covatti – Como falei, o PP sempre foi a favor da diminuição da máquina do Estado, das privatizações, das reformas que aconteceram. Agora não tem mais o que privatizar. Talvez, tenha o Banrisul. Mas não salvaria o Rio Grande do Sul de qualquer, então, não tem por que pensar nisso. Agora temos que buscar soluções internamente, trazendo pensadores e outras pessoas que possam contribuir para encontrá-las. Além disso, um outro fator importante é que agora, por causa da enchente, o Estado não está pagando a dívida com a União.
JC – Quanto ao Banrisul, o senhor é a favor da privatização do banco?
Covatti - Não, acho que o banco tem vários caminhos, várias possibilidades. E vou ser bem sincero: se fosse privatizado, não salvaria o Rio Grande do Sul. Então, a gente tem que analisar caso a caso, mas hoje, não conhecendo a máquina por dentro, não considero de suma importância a privatização do banco.
JC – O senhor também mencionou a volta do pagamento da dívida, o que deve acontecer em 2027...
Covatti - Então, a partir de 2027, a gente vai precisar de muita articulação política com o Congresso Nacional e também com o próximo presidente da República. Seja ele quem for. Precisamos que a União dê uma atenção específica para o Rio Grande do Sul, porque tem várias teorias de como deve ser cobrada a dívida. Para isso, a gente precisa articulação política, propostas firmes e um pedido de respeito da União.
JC – Uma nova renegociação da dívida vai ser inevitável?
Covatti - A gente vê os números que são apresentados. Não conseguimos saber (os dados) da máquina pública por inteiro. Mas eu tenho certeza absoluta que, caso eu seja eleito governador, a gente vai minuciar esses números, tomar pé de como está. A dívida vai ser cobrada no início do mandato do próximo governador, que vai ter que sentar com a União para ver de que maneira isso vai ser feito. Também terá que ver se essa série de investimentos que o governo do Estado está fazendo para a recuperação do Estado vai resultar na recuperação econômica. Então, vai ter que haver, não digo a renegociação da dívida, mas um movimento político em parceria com a União.
JC – O senhor considera as condições oferecidas pelo Propag, o programa de renegociação da dívida oferecida pelo atual governo federal, melhor que o Regime de Recuperação Fiscal, oferecido pelo governo anterior?
Covatti - O presidente Lula vetou alguns pontos do texto aprovado no Congresso Nacional, que, segundo o governador Eduardo Leite e sua equipe técnica, são de suma importância. O governador salientou (durante articulações com a bancada gaúcha no Congresso) que seria importante derrubar alguns vetos do presidente Lula. A gente ainda não votou os vetos do presidente da República, então, ainda pode ter alguma mudança no Propag. Hoje, do jeito que está, não consigo te dizer se vale a pena ou não. Tem muitas coisas técnicas que são mais de conhecimento da Secretaria da Fazenda.
JC - Tem previsão de votação desses vetos?
Covatti - Na verdade, não tem prazo, até porque é um programa que ainda não foi implementado.
JC – Segundo o vice-governador Gabriel Souza (MDB), o Palácio Piratini tem que manifestar se vai ingressar no Propag até o final deste ano...
Covatti - O Rio Grande do Sul vai ter que escolher se vai entrar ou não ali na frente. Então, tem mais ou menos esse período. Sei que não só o governador Eduardo Leite mas outros governadores também estão em conversa com o presidente do Senado Davi Alcolumbre para botar em votação esses vetos. Então, deve ter algum encaminhamento até o final do ano...
JC – Entre 2014 e 2024, o salário dos servidores públicos perdeu 77% do poder de compra, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O senhor acredita que o próximo governo precisará recompor o salário do serviço público?
Covatti - Isso é necessário, porque, para a gente prestar um bom serviço para a sociedade, os nossos servidores têm que estar felizes não só no ambiente de trabalho, mas também na questão remuneratória. Hoje, uma geração está saindo das escolas, das faculdades, mas, na hora de prestar um concurso público, os profissionais olham a rentabilidade. Mas isso também precisa ser encarado com responsabilidade. Não dá para aumentar o salário da categoria A, B e C, se isso colocar o Rio Grande do Sul na situação que estava lá atrás, parcelando salários.
JC – Desde as reformas, o governo do Estado concedeu só um reajuste para todas as categorias, em 2022. O senhor acredita que é possível dar, pelo menos, a recomposição da inflação todos os anos?
Covatti – Para ser bem sincero, não digo se é possível ou impossível. Não dá para a gente fazer essas promessas sem ter a consistência. De qualquer forma, se lá atrás o Rio Grande do Sul estava parcelando os salários, hoje ele tem condições de pagar os salários em dia e fazer alguns investimentos. Isso significa que as reformas estão trazendo um benefício econômico e fiscal para o Rio Grande do Sul. E isso pode fazer com que se crie um ambiente para uma valorização.
JC – Alguns membros do PP defendem que o partido apoie a pré-candidatura do deputado federal Luciano Zucco (PL) ao governo do Estado. Outros defendem o apoio à candidatura do sucessor escolhido pelo governador Leite, Gabriel Souza (MDB). E outros ainda defendem que o partido lance candidatura própria sob a sua liderança. Como presidente estadual do PP, a possibilidade de um racha preocupa? Existe o risco dessa disputa levar à saída de algumas lideranças do PP?
Covatti - Não, não vejo essa possibilidade. O Progressistas sempre teve divergências de pensamentos internamente, mas isso pode trazer uma construção e uma harmonia. É dessa maneira que eu vejo que a gente pode conduzir o Progressistas para a eleição do ano que vem. Estou conversando com praticamente todos esses líderes, passando a visão, ouvindo a visão deles, criando oportunidades e estratégias políticas para a gente achar o melhor caminho. Nunca teremos unanimidade. Mas tenho certeza que o grupo vencedor vai receber uma unidade depois da decisão.
JC – O PP é o partido com o maior número de prefeitos no Rio Grande do Sul. O senhor sente que as lideranças locais tem preferência por algum caminho nas eleições de 2026?
Covatti - A gente ouve muito os nossos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Todos querem que o Progressistas capitaneie um projeto, que busque o protagonismo em uma candidatura própria. Hoje temos a federação com o União Brasil, mas também queremos buscar outros parceiros para o nosso projeto. Então, é dessa maneira que nós estamos conduzindo, dessa maneira que estamos falando, inclusive com outras agremiações partidárias, sempre trazendo o posicionamento partidário, que quer ter a oportunidade de governar o Estado. A última oportunidade que a gente teve (no comando do Palácio Piratini) foi através do governador Jair Soares (1983-1987).
JC - Se o senhor pudesse escolher os aliados para a eleição de 2026, quais partidos escolheria?
Covatti - Já que a gente quer capitanear um projeto, temos que apresentar nossas ideias e abrir as portas para aqueles que queiram defender esse projeto com a gente. Obviamente, também vamos fazer essa aproximação com partidos que têm a mesma linha ideológica que a gente, as mesmas bandeiras que defendemos, que é a livre iniciativa, a propriedade privada, a liberdade econômica, a diminuição da máquina pública.
JC - Pode citar alguns partidos com quem o PP está conversando?
Covatti - É difícil citar, porque tem partidos que estão na base do governo (Leite) e, à medida que a gente citar algum, pode trazer ruído dentro dessas construções. Então, prefiro não citar.
JC - O senhor descarta a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa para compor uma candidatura sob outra liderança?
Covatti - A gente tem que trabalhar um projeto. Aquela pessoa que, assim como eu, quer colocar o seu nome à disposição para capitanear um projeto, tem que trabalhar para ser a protagonista. Mas, para o êxito do projeto, tem que ouvir várias pessoas, partidos. E os líderes podem entender que eu não serei o capitão desse projeto. Isso pode fazer com que possamos, sim, abrir mão (da cabeça de chapa). Por isso que digo: antes de falar de pessoas, temos que entender que, à medida que sentamos para conversar com possíveis aliados, pode ser que eles vejam o projeto sendo capitaneado por outra pessoa. E a grandeza do partido é não pensar no CPF, mas, sim, no projeto que queremos levar para a população gaúcha do ano que vem.

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