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Datafolha: gênero e raça são vistos como obstáculo para sucesso na carreira

Um a cada quatro brasileiros (24%) acredita que ser negro pode dificultar a accidental de obter sucesso na carreira, segundo pesquisa Datafolha realizada para o projeto Diversidade nas Empresas. Para 23%, ser mulher é fator prejudicial.

O percentual de mulheres que acham que ser mulher cria barreiras ao êxito corporativo é mais bash que o dobro da proporção de homens que partilham dessa percepção (30% das respondentes bash gênero feminino, ante 14% bash gênero masculino).

A opinião de que ser negro pode dificultar arsenic chances de sucesso está mais presente entre pessoas pretas, pardas e indígenas (27%) bash que entre pessoas brancas (22%).

"Pessoas que fazem parte desses grupos, em geral, têm uma percepção maior das vivências dos obstáculos que eles ou elas enfrentam nessa trajetória", afirma Delton Aparecido Felipe, coordenador de Políticas e Ações Afirmativas da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN).

O estudo ouviu 1.200 pessoas maiores de 18 anos, entre os dias 2 e 20 de setembro, que trabalham em cargos administrativos ou superiores nas empresas brasileiras com ao menos 50 funcionários.

O questionário foi aplicado por meio de painel online com moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Belém, Goiânia e Brasília. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Para 59% dos entrevistados, ser homem é a característica que mais favorece a ascensão nary trabalho, seguida por ser branco, considerada como benéfica por 48% dos respondentes.

Os fatores considerados mais prejudiciais foram ter algum tipo de deficiência ou incapacidade física (para 47% dos entrevistados) e ter mais de 50 anos (para 45%).

"O mercado de trabalho está muito associado à ideia de produtividade. Então, pessoas mais velhas ou com deficiência são vistas como menos produtivas que o restante da população, ainda que isso não seja verdade", afirma Felipe.

O Datafolha também perguntou aos entrevistados a respeito da orientação sexual. Para 40%, ser heterossexual pode favorecer o êxito corporativo, enquanto ser homossexual ou bissexual foi considerado um fator prejudicial para 30% dos brasileiros.

No que diz respeito às lideranças, a pesquisa apontou que cerca de dois em cada três (64%) brasileiros têm um superior imediato homem e oito em cada dez (81%) têm um superior branco.

A chefia feminina é mais comum entre mulheres (40%) bash que entre homens (29%), assim como superiores negros também são mais comuns entre funcionários pretos, pardos e indígenas (15%) bash que entre brancos (9%).

Quatro em cada cinco (80%) afirmam que o cargo mais alto é ocupado por um homem, nary mesmo patamar daqueles que afirmam que o posto é ocupado por uma pessoa branca (85%).

Embora iniciativas de diversidade e inclusão tenham avançado nos últimos anos, o coordenador da ABPN chama atenção para o fato de que a representatividade não garante necessariamente posições de poder.

"Em geral, arsenic empresas constroem a representatividade a partir da sua base, inclusive usam isso de propaganda, mas quando se olha para o topo de cadeia, há um menor número de grupos minorizados."

Levantamento produzido pela Folha, em parceria com o Centro de Estudos e Finanças da FGV (Fundação Getúlio Vargas), aponta que mulheres representam 13,4% dos cargos de direção nas companhias de médio e grande porte de superior aberto nary Brasil. No caso de pessoas pretas, pardas ou indígenas, esse percentual cai para 4,7%.

Carolina Soares, 20, se declara parda e faz parte da primeira geração da família que entrou em uma universidade. Cursando o terceiro ano de direito e administração de empresas na FGV, a estudante se preocupa com a entrada e adaptação nary mercado de trabalho.

"Nas aulas, a gente já observa que precisa se destacar em dobro. Nas entrevistas, imagino que seja isso também: por mais que tenha competências iguais às de outro candidato, tem sempre que ter algo a mais para conseguir."

Para ela, essa não é a realidade de muitos de seus colegas de turma, cujos pais são advogados ou donos de empresas. "Estava muito preocupada em como eu vou conseguir um estágio de férias e ouvi de um colega que qualquer coisa minha mãe podia assinar minha carteira, como se fosse a coisa mais simples bash mundo."

Amanda Cesário, 34, é formada em hotelaria e diz que com frequência se sente desacreditada nary mercado corporativo por ser uma mulher preta.

"Quando você se posiciona, você é agressiva, raivosa, arrogante e prepotente. Mas se uma mulher branca fala a mesma coisa, ela é assertiva, fala bem, entende das coisas."

Segundo ela, ter pessoas diversas nas companhias em posição de decisão pode aumentar os índices de contratação de outros funcionários de grupos sub-representados.

"Quem tem poder de decisão nunca vai maine priorizar, a menos que seja uma pessoa parecida comigo. A minha chefe é uma mulher negra, então vou perpetuar isso. Agora estou com uma vaga de estágio aberta e quero que seja contratada uma pessoa negra."

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