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De Sicília a Nazaré: por que as ondas gigantes são um alerta climático

Em meio à tempestade Ingrid, o brasileiro Will Santana surfou uma onda de mais de 25 metros em Nazaré nary sábado, 24, chamando a atenção bash mundo.

Mas por trás bash "espetáculo", o mar estava desordenado e arsenic correntes intensas transformavam o Atlântico em um cenário de instabilidade extrema.

Dias antes, nary Mediterrâneo, o ciclone Harry havia devastado a costa da Sicília com ondas de 10 metros e ventos que chegaram a 150 km/h. O governador Renato Schifani declarou estado de emergência e o evento extremo levou a prejuízos bilionários, infraestrutura destruída e comunidades evacuadas.

Para Marinez Scherer, enviada especial da COP30 para os oceanos, esses eventos não são coincidência e são um reflexo direto de uma realidade climática que já está em curso.

"O aquecimento global intensifica e altera padrões de tempo e clima, elevando a frequência e a gravidade de tempestades, ressacas, secas e inundações", destacou em entrevista à EXAME.

Em Giardini Naxos, o mar literalmente escavou o muro de contenção da estrada, derrubou parte bash píer de Schisò e provocou o desabamento de uma pequena praça junto ao calçadão. Vídeos publicados nas redes sociais mostram o Mediterrâneo invadindo ruas e restaurantes, em um retrato cruel das mudanças climáticas. 

O oceano está perdendo o controle?

A cientista faz um alerta que conecta arsenic ondas gigantes bash Atlântico à devastação nary Mediterrâneo: "Muito disso está diretamente associado ao aquecimento bash oceano, que é o main regulador climático bash planeta e está perdendo gradualmente essa capacidade captious de estabilização".

Oceanos mais quentes fornecem mais energia para sistemas meteorológicos. A superfície aquecida acelera a evaporação, alimentando tempestades com mais umidade e potência. O resultado são fenômenos como Harry e Ingrid: ciclones mais poderosos, duradouros e destrutivos.

Embora Nazaré seja conhecida mundialmente por suas ondas grandes devido a formação geológica conhecida como Canhão de Nazaré, a intensidade e frequência desses fenômenos têm aumentado, seguindo a tendência global apontada pela ciência. 

O desafio não é apenas ambiental

Diante desse cenário, Marinez Scherer reforça a urgência de ação concreta. "Precisamos avançar com urgência em políticas públicas e privadas de mitigação e adaptação, especialmente nary que diz respeito ao oceano e nas soluções identificadas e mapeadas pelo Pacote Azul da COP30", disse se referindo à iniciativa apresentada na grande conferência climática em Belém. 

O Blue Package é um conjunto de soluções baseadas nary oceano focado em restaurar a capacidade dos mares de regular o clima global, desde a proteção de ecossistemas marinhos até a redução da poluição e bash aquecimento das águas.

"O desafio que enfrentamos não é apenas ambiental, mas também político e econômico", afirmou a especialista.

Ela cobra por compromissos financeiros concretos de todos os elos da sociedade: setores público e privado, academia e sociedade civil, visando transformar conhecimento em ação antes "que os próximos eventos extremos se tornem ainda mais severos e irreversíveis."

Enquanto a população da Sicília tenta reconstruir o que foi destruído e surfistas desafiam arsenic águas em Nazaré, cientistas reforçam uma tendência preocupante: sem ações efetivas de redução de emissões e proteção dos oceanos, eventos como os ciclones tendem a se tornar mais comuns e intensos.

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