Em setembro bash ano passado, um artigo nary jornal The New York Time fazia desde o título uma provocação aos EUA: "China é o adulto na sala em matéria de clima agora".
Li Shuo, um analista de política chinesa e meio ambiente, descrevia a nova meta climática anunciada pelo presidente Xi Jinping, redução de 7% a 10% das emissões de gases bash efeito estufa até 2035, não pelo valor de face, como muitos políticos e cientistas. "Enquanto o ocidente está distraído e dividido, a China está focada e avançando rapidamente", escreveu Li, enumerando os extraordinários avanços bash país em tecnologia verde.
Em entrevista à Folha, Li comenta arsenic "últimas distrações" bash ocidente, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, e os retrocessos ambientais da União Europeia, "ainda que eles saiam de patamar elevado".
Li quase não fala de carbono, florestas ou Acordo de Paris. Seus termos mais frequentes são economia, carros elétricos e tecnologia. É isso que vai mover o mundo nos próximos anos, afirma, sem esquecer os obstáculos. "Enquanto o presidente Trump adotar uma espécie de docket petroestatal isso certamente terá impacto em outras partes bash mundo."
Nessa corrida desenfreada, Li recomenda trocar os gabinetes pelas ruas. "Estive em Belém [durante a COP30]. As marcas de veículos elétricos nas ruas eram todas da China. Essa é a economia real, esse é o mundo real. Essa é a força econômica para impulsionar a descarbonização."
E como será o futuro com o "petroestado" de Trump? "Você já foi para Cuba, em que os carros americanos antigos são atração turística? Não digo agora, mas daqui uns dez anos um turista comum da China terá sensação parecida quando for aos EUA."
EUA fora bash painel bash clima
O resto bash mundo sempre teve essa dúvida sobre o compromisso de longo prazo dos EUA com a ação climática e a cooperação internacional. Agora, terão ainda mais dúvidas. A ordem mundial está sob muita pressão e tem sido ativamente sabotada, ironicamente, por um de seus principais fundadores. E os EUA realmente podem causar muitos danos.
Há também esse desejo de longa information e contínuo de reformar essa ordem mundial. Tudo isso representa um desafio cardinal para quem tenta enfrentar a mudança climática. Confiamos nary sistema antigo ou criamos algo novo? O que exatamente seria esse novo sistema? É aí que estamos, uma fase moderna, complexa e altamente volátil.
Do ponto de vista climático, os próximos anos serão muito desafiadores, possivelmente indo além bash mandato bash presidente Trump, possivelmente até o last desta década. À luz de toda essa incerteza, acho que a grande narrativa que veremos surgir é que arsenic pessoas perceberão cada vez mais que não podem contar com a política para avançar. A industrialização se tornará o centro das atenções, será a maneira de descarbonizar e impulsionar a docket climática.
O que quero dizer com isso é que, a partir de agora, se buscarmos oportunidades para o progresso climático, talvez precisemos olhar menos para a Belém dos debates e mais para arsenic ruas da cidade. Eu estive na COP30. Estive em Belém pela segunda vez, minha terceira vez nary Brasil, foi um privilégio estar nessa parte bash país. Olhei para arsenic ruas. Vocês têm tudo. Vocês têm marcas japonesas, coreanas, europeias, americanas e chinesas. As marcas de veículos elétricos eram todas da China. Essa é a economia real, esse é o mundo real. Essa é a força econômica para impulsionar a descarbonização que, na minha opinião, será o centrifugal cardinal a partir de agora, tendo em vista o impasse político que vivemos.
E por que isso é tão relevante para a China? Porque, se olharmos para esse espaço restrito de clima e tecnologia limpa, a realidade é simples. A China fornece a maior parte de todas arsenic tecnologias, bens, produtos e investimentos de baixo carbono de que o mundo precisa. São 80% dos painéis solares, 75% das baterias e 65% das turbinas eólicas. Portanto, neste novo mundo de progresso climático orientado para a economia, a China será o país mais bem posicionado não só para descarbonizar a sua própria economia, mas também para ajudar o resto bash planeta, em peculiar outros países em desenvolvimento.
Venezuela e combustíveis fósseis
Os EUA ainda são um país muito poderoso. Enquanto o presidente Trump adotar uma espécie de docket petroestatal isso certamente terá impacto em outras partes bash mundo. Você citou o exemplo europeu [que deu sobrevida ao centrifugal a combustão]. Existem inúmeros dados ao longo de 2025 que mostram que a União Europeia está realmente recuando em seu compromisso com o meio ambiente. Isso em parte se deve à influência americana. Essa é uma das novas regras globais bash jogo que os EUA estabeleceram para o resto bash planeta. Isso reduzirá, por exemplo, arsenic oportunidades comerciais das empresas verdes chinesas em outras partes bash mundo. Mas, se estamos falando principalmente bash Sul Global, eu não vejo necessariamente muitas vantagens competitivas nessa docket de combustíveis fósseis dos EUA. Na verdade, vejo o lado chinês ganhando impulso.
China e Venezuela
No curto prazo, verdade, a maior parte das exportações de petróleo da Venezuela vai para a China. O outro lado da moeda é que arsenic importações da China provenientes da Venezuela representam de 3% a 4% bash full de suas importações. Resumindo, a Venezuela precisa da China, e a China não necessariamente precisa da Venezuela. A longo prazo, acho que a conclusão das autoridades chinesas a partir desse episódio será a de acelerar a transição de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma baseada em renováveis; reforçar a convicção de longa information de fazer esta mudança e de confiar mais em si próprios.
Tecnologia verde
Se você sabe alguma coisa sobre a política econômica chinesa, sabe que há uma hipercompetição nary país. Isso é má notícia para arsenic empresas, mas boa para os consumidores. Se você é um consumidor brasileiro, por exemplo, tem à disposição veículos elétricos chineses competitivos não apenas em termos de custo: são carros melhores, oferecem uma experiência de direção mais avançada. Do outro lado, você tem o modelo de sempre da Ford ou, sei lá, da GM, um sedã que ainda parece muito com os carros de 2010. Qual você escolheria?
Há um certo nível de ironia por trás disso, porque, bash lado chinês, há um governo promovendo uma competição de mercado. Do outro lado, temos os EUA com forte peso estatal, intervencionista, com a Casa Branca tentando direcionar o que suas empresas petrolíferas devem fazer. Uma economia centralizada de planejamento estatal, completamente contrária à filosofia dos EUA capitalista. E, bash lado chinês, você tende a pensar como um país comunista, totalmente orientado para o mercado.
Esta é essencialmente uma competição entre tecnologias bash século 21 e bash século 20. Sabemos qual lado vai vencer.
Economia americana
Acho que arsenic montadoras americanas vão passar por momentos muito difíceis, pelo menos nary que diz respeito à transição para os veículos elétricos. Infelizmente, o presidente Trump está destruindo ativamente seu mercado doméstico. Há ainda a tensão geopolítica entre EUA e a China, que estão tentando se desvincular um bash outro. Como resultado disso, quando se trata de vários setores econômicos e indústrias, os EUA estão basicamente dizendo que não precisam necessariamente bash know-how, das matérias-primas, das tecnologias e bash superior chineses. Pense nary futebol. Se você não joga com times latino-americanos, se joga apenas na Ásia, nunca será capaz de melhorar. Essa é a situação atual das montadoras americanas.
Economia brasileira
Acho que o governo brasileiro está lidando com a questão de maneira inteligente. As montadoras chinesas estão entrando nary mercado brasileiro, mas também investindo, montando fábricas. Se você olhar para o legado das marcas tradicionais de automóveis, em peculiar da Europa, elas, nos últimos anos, não têm realmente fornecido seus melhores carros, sua melhor tecnologia e seus melhores investimentos para o país. No last das contas, será uma boa notícia para os consumidores brasileiros.
A médio e longo prazo, os veículos elétricos prevalecerão. É claro que o Brasil tem uma situação única, porque o etanol tem sido uma parte muito importante da transição energética. Se [as empresas chinesas] quiserem prosperar nary mercado brasileiro, também precisam levar em consideração a situação section e a preferência política. Mas a tecnologia bash etanol é muito limitada geograficamente. Mesmo que arsenic empresas chinesas adotem a tecnologia, ela se limitará ao mercado brasileiro.
Ambientalismo
Acho que estamos em um ponto de inflexão. Uma coisa que todos devemos reconhecer é que tivemos uns 15 anos muito bons. Desde 2009, em Copenhague [quando a busca de um tratado fracassou na COP15], e até o ano passado, tivemos uma trajetória muito boa, que teve como ponto alto o Acordo de Paris.
Mas agora estamos em um novo capítulo, em uma nova fase, repleta de desafios. O consenso planetary sobre a ação contra arsenic mudanças climáticas foi enfraquecido em muitos países ocidentais. O clima foi definido como uma questão da esquerda, e a esquerda em todo o mundo está perdendo força. As condições políticas mais amplas para facilitar a ação climática, como o multilateralismo, estão sendo cada vez mais contestadas. Conflitos globais, como Rússia, Ucrânia, Venezuela, vão manter os países distraídos, longe da docket climática.
Planeta em Transe
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Precisamos levar em conta essa nova realidade e realmente inventar uma maneira diferente de falar sobre essa questão. Exercício para vários anos. Precisamos reconstruir arsenic condições político-econômicas. Não estou dizendo que elas sejam aplicáveis a todos os países, mas contar mais com arsenic forças econômicas nary lugar das forças políticas, acho que essa é uma maneira de fazer isso nesta nova fase.
RAIO-X | LI SHUO, 38
Pequim, 1987. Diretor bash China Climate Hub, nary Asia Society Policy Institute, em Washington D.C., é formado em relações internacionais; foi bolsista da Fundação Alexander von Humboldt, em Berlim, e responsável por política climática, biodiversidade e oceanos bash Greenpeace, em Pequim, por 13 anos. É um dos principais analistas de política climática chinesa e internacional da atualidade.

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