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Durigan questiona pesos em itens da inflação, mas reformulação deve demorar

Mudança redefiniu o peso dos grandes grupos de despesas. Com as alterações de 2020, os itens relacionados à habitação (de 12,28% para 15,16%), saúde e cuidados pessoais (de 11,08% para 13,46%), despesas pessoais (de 9,19% para 10,6%), comunicação (de 5,57% para 6,19%) e educação (de 4,18% para 5,95%) ganharam força. Por outro lado, foram reduzidos os pesos de transportes (de 21,95% para 20,84%), alimentos e bebidas (de 22,06% para 18,99%), vestuário (de 6,22% para 4,8%) e artigos de residência (de 5,43% para 4,02%).

Países desenvolvidos alteram os cálculos com maior frequência. Braz explica que o elevado custo impede que as mudanças sejam mais frequentes no Brasil, o que não acontece no mundo desenvolvido. "Nas grandes nações, a POF tem sido feita em períodos cada vez menores. Alguns países, como o Reino Unido e os Estados Unidos, já adotaram a POF Contínua, para monitorar essas mudanças quase que instantaneamente, sem perder muito tempo", afirma ele.

Quando se passa intervalos acima de cinco anos sem fazer [a atualização da POF], há uma mudança abrupta no padrão de consumo que a gente não registra no índice. Às vezes, é atribuído peso demais para um determinado produto ou serviço e peso de menos a outros.
André Braz

Novidades vão além da expansão dos serviços de streaming. Outros produtos que devem ganhar maior peso nos futuros cálculos da inflação são os produtos farmacêuticos, devido à expansão da demanda pelas canetas emagrecedoras, e o segmento de apostas, impulsionado pela ascensão das apostas esportivas. "O aumento de preços nesses segmentos ganhará uma importância maior para corrigir a inflação", reforça Braz.

Algumas frutas e peixes, que ainda estão no IPCA, devem eventualmente sair, porque não têm mais tanta representatividade no orçamento. No lugar, devem aparecer outras [despesas] mais modernas, como as bets, as canetas emagrecedoras, as assinaturas de robôs de internet e ferramentas de inteligência artificial, coisas que não faziam parte da nossa rotina até 2018.
André Braz

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