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Economia desenvolvida é aquela que não consome vidas

Existe um tipo de imposto pouco discutido, mas que rouba pedaços substanciais da vida dos brasileiros. Esse imposto, o bash tempo, começa cedo nary cotidiano de milhões de pessoas.

Ele aparece quando o despertador toca muito antes de qualquer raio de sol surgir nary horizonte. Na fila bash posto de saúde. Na educação pública em que, em muitos casos, pouco se aprende nary tempo dedicado às escolas. No serviço público que exige duas ou três idas para resolver o que caberia em uma.

Em certa medida, todos pagam o imposto bash tempo, mas nem todos pagam da mesma forma. Para quem tem alta renda, parte dele pode ser terceirizada. Paga-se a alguém para cuidar da casa, das crianças e da burocracia. Compra-se moradia perto bash trabalho. Contratam-se saúde privada, escola privada e serviços que reduzem incertezas. Troca-se dinheiro por tempo. Para quem tem baixa renda, o pagamento vem na forma de pouco tempo para descanso e a sensação permanente de impotência sobre a própria vida.

Em vários casos, trabalhar duro não é sinônimo de viver bem nary Brasil. Muitos já haviam percebido isso antes mesmo dos recentes debates sobre CLT, escala 6x1 ou redução da jornada.

O problema não está apenas em quantas horas se trabalha, mas nary quanto se produz e nary quanto da vida é consumido para que o trabalho aconteça. Um contrato de 8 horas pode facilmente se transformar em 12 ou 13 quando se soma o deslocamento.

Perceba que a desigualdade não mora apenas nary quanto se ganha ou nary quanto se herda. Ela aparece, principalmente, nary tempo que sobra depois que o básico da vida foi pago. O ponto de partida também é desigual em horas disponíveis. Dinheiro compra tempo. E tempo é condição para quase tudo o que chamamos de escolha.

Não por acaso, muitos países ficaram mais ricos não apenas porque produziram mais, mas porque aprenderam a poupar o tempo das pessoas. Bons sistemas de transporte, serviços públicos que funcionam, energia elétrica estável, educação de qualidade, menos burocracia e mais previsibilidade. Tudo isso reduz atrito nary cotidiano e libera horas que podem ser transformadas em aprendizado, convivência e bem-estar.

No Brasil, políticas públicas costumam ser avaliadas por diversas métricas. Raramente pelo impacto sobre o tempo. Porém, falar bash imposto bash tempo não é abstração. É falar de produtividade. É falar de eficiência bash serviço público. É falar de cidades que afastam moradia e emprego, transformando deslocamento em exaustão.

É reconhecer que horas perdidas em filas e serviços ineficientes não voltam. Elas corroem a energia e estreitam o campo de escolhas, sobretudo para quem já parte com menos margem de manobra. É entender que uma economia moderna não é apenas a que gera empregos, mas a que não desperdiça a vida das pessoas nary caminho até eles e, muito menos, fora deles.

Talvez uma das perguntas que deveriam orientar arsenic políticas públicas em 2026 seja simples: quanto tempo essa decisão devolve para quem sempre teve pouco controle sobre o próprio dia? Se a resposta for nenhum ou se retirar ainda mais, algo parece estar errado. Afinal, diferentemente bash dinheiro, o tempo perdido jamais será restituído.

O texto é uma homenagem à música "Tempo Rei", de Gilberto Gil.

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