O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta terça-feira (25) que o distanciamento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode favorecer o avanço de um projeto de anistia no Congresso. O grupo político de Flávio busca uma forma de tirar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da prisão.
Bolsonaro foi preso preventivamente na última semana. Ele estava detido em casa e tentou abrir com um ferro de solda a tornozeleira eletrônica que o monitorava. O ex-presidente foi sido condenado a 27 anos de prisão no processo da trama golpista e aguardava o início do cumprimento da pena.
Filho de Bolsonaro, Flávio se tornou o principal porta-voz do grupo político desde a prisão do pai. Ele foi abordado por jornalistas no Senado e perguntado sobre o afastamento entre o governo e a cúpula do Congresso. "Pode sim [favorecer a anistia]", disse ele.
O senador disse que já houve conversas com o presidente do Senado, mas que as negociações estão em andamento. Ele também afirmou que seu pai deixou, antes de ser preso, orientações sobre a maioria das alianças que seu grupo político deve fazer nas eleições do ano que vem.
A relação entre o núcleo do governo Lula e o presidente da Câmara se deteriorou durante a tramitação do projeto de lei antifacção. O Planalto tinha uma proposta sobre o assunto, e Motta colocou como relator deputado e secretário de Segurança Pública de São Paulo Guilherme Derrite (PP), um dos principais nomes da oposição.
A medida irritou governistas. O desenlace mais recente desse desgaste foi o rompimento de relações entre Motta e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
Lula teve no Senado sua principal fonte de governabilidade desde o início de seu atual mandato. Também na última semana, porém, o presidente anunciou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga que está aberta no STF (Supremo Tribunal Federal).
A medida irritou Davi Alcolumbre e a maioria dos principais senadores. Eles queriam que o indicado fosse Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e um dos principais aliados de Alcolumbre.

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