Classe 'bem média'
Filho de um médico ortopedista do SUS e de uma fisioterapeuta, Hamra cresceu em Catanduva, no interior de São Paulo, em uma família de classe "bem média", como o próprio Hamra descreve. Aluno de desempenho acima da média, destacou-se desde cedo. Ainda assim, o acesso a universidades que cobram anuidades superiores a US$ 60 mil por ano parecia distante da realidade familiar.
A estratégia para viabilizar os estudos no exterior envolveu um pouco de ousadia e cara de pau para pedir dinheiro para estudar fora a grandes empresários. Foi assim, inclusive, que André Hamra conheceu o seu xará bilionário das maquininhas Stone.
Em 2014, no ensino médio, Hamra foi selecionado para estudar na Fundação Estudar, iniciativa patrocinada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, um dos donos da AmBev e bilionário na lista da Forbes.
"Assisti a uma palestra do André Street no Insper e, ao final, pedi uma bolsa de estudos e um emprego", relembra Hamra. Semanas depois, integrou um grupo de estudantes que visitou a sede da Stone. Na ocasião, Street anunciou que financiaria apenas cinco dos cerca de 30 candidatos interessados em estudar fora.
Além da bolsa concedida pelo empresário, Hamra recorreu a campanhas online e conseguiu apoio de outras instituições. "Foram sete bolsas no total", lembra, calculando que a família arcou com cerca de 20% dos custos.
Estudo, trabalho, estudo
Na Wharton, Hamra manteve desempenho acadêmico de destaque. Chegou a ser hospitalizado por estafa e concluiu, paralelamente à graduação, um curso de filosofia, modalidade conhecida nos Estados Unidos como minor.
Sobre o encontro com o xará, Street afirma se lembrar do primeiro encontro com o jovem.
"Ele se mostrou muito dedicado aos estudos, com valores sólidos e uma organização mental rara para a idade", disse o empresário. "Na época, tinha cerca de 15 ou 16 anos."
Durante a graduação, Hamra aproveitou as férias acadêmicas de verão para fazer trabalhos temporários na Ambev e na Stone. Após se formar, iniciou sua carreira formal na companhia de Street, onde permaneceu por quase sete anos.
Na empresa, foi promovido diversas vezes, liderou equipes, conduziu projetos estratégicos e esteve à frente de iniciativas que resultaram em aumento de faturamento e redução de custos sem demissões. Como reconhecimento, foi recebendo ações da companhia, cujo valor somavam cerca de R$ 10 milhões, condicionadas a um período mínimo de permanência de dez anos na empresa.
Em 2021, contudo, Hamra decidiu abrir mão do benefício e deixar a companhia. "Foi uma decisão difícil", afirma. Ele passou a se perguntar se aquilo que fazia estava alinhado à missão de vida que abraçou.
Filósofo formado, Hamra passou a refletir sobre a relação entre trabalho, talento e realização pessoal.
Eu me perguntava: qual era a coisa mais importante para as pessoas? Certamente é ser feliz. Por que as pessoas não estão fazendo trabalhos nos quais elas são muito boas? Por que há tanto talento desperdiçado? Por que a sociedade está perdendo tanto o talento das pessoas?
Vivência na rua
Em busca de respostas, decidiu realizar um experimento. Misturado entre pessoas em situação de rua, caminhou por São Paulo e conversou com eles. Encontrou interessados em áreas como matemática, culinária, tecnologia, entre outras, mas sem acesso a oportunidades para desenvolver as habilidades.
A partir dessa experiência, concluiu que o desperdício de talentos está ligado à falta de clareza sobre vocação, visibilidade profissional e acesso ao mercado de trabalho. Foi dessa reflexão que surgiu a Refer.
A plataforma utiliza um questionário detalhado e ferramentas de inteligência artificial para identificar as habilidades e o potencial dos profissionais. Assim, descobre que um caixa de banco na verdade nasceu para liderar pessoas em recursos humanos ou para dar treinamento para equipes de vendas.
A empresa não cobra das companhias o percentual tradicional dos headhunters, que pode chegar a 20% do salário anual do profissional.
"Quem nos paga é quem está procurando emprego", explica Hamra. "Mas só paga depois de receber o primeiro salário, em uma única vez."

A Refer liga pessoas a empresas, cobrando 20% do primeiro salário. Como traz ainda a possibilidade de a companhia contratar profissionais muito mais aderentes às vagas, a Refer já tem fila de empresas, nos EUA, interessadas em contratar pela plataforma.
Criada a partir de 2022, a startup se estruturou como empresa no ano passado, durante o período em que Hamra cursava o MBA em Stanford, universidade focada em empreendedorismo, que é considerada o berço das big techs do Vale do Silício, nos EUA. Junto a investidores, incluindo André Street, de quem nunca se distanciou, além de empresas de venture capital americanas, Hamra já levantou US$ 2,5 milhões para desenvolver a Refer.
Hoje a plataforma conta com oito outros profissionais, todos ao estilo "geninhos", como o sócio-fundador, e já empregou dezenas de pessoas. "Se vendi menos de 15% da minha companhia a R$ 2,5 milhões, significa que a minha empresa hoje vale ao redor de R$ 100 milhões", calcula, na velocidade da luz, o jovem, que mantém o propósito claro de ajudar pessoas, companhias e sociedade.

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