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Guerra não justifica mudança automática no plano de reduzir a Selic

Na atual conjuntura, não chegam a "cometer" o argumento de subida de juros, mas já espalham a ideia (errada) de que o Banco Central teria de postergar os cortes já programados. Não há, nisso, qualquer fundamentação econômica.

As perspectivas para a inflação, sim, vão se alterar, no curto prazo, como já ocorreu, nesta semana, na Pesquisa Focus, do Banco Central, que passou a indicar uma mediana de 4,1% para o IPCA em 2026 (lembro, aliás, que o IPCA está em 3,8% no acumulado em 12 meses até fevereiro). A Guerra do Irã implicou aumento dos preços do petróleo e, mesmo na presença de volatilidade, um sobe-e-desce danado, a tendência é a acomodação dos preços em níveis bem mais altos do que no período anterior ao conflito.

Esse aumento dos preços do petróleo é causado por um choque de oferta negativo, dados os entraves impostos ao transporte de volume relevante de petróleo, e pelo próprio movimento dos mercados futuros da commodity. O Banco Central nada tem a fazer, de imediato, contra esse efeito inflacionário, esse repasse dos preços do petróleo para os derivados, os combustíveis, a exemplo do diesel e da gasolina comum.

O governo, sim, pode usar de seus tributos regulatórios para amenizar os efeitos, temporariamente, como, aliás, já fez para o caso do diesel. Não deve, vale dizer, pressionar outras esferas, já que a autonomia dos entes federados deve ser preservada. Não vamos nos esquecer da lambança de 2022, com lei complementar que impôs alíquotas mais baixas para os Estados. O caso foi parar no STF e as compensações saíram caro. Boa parte da fatura ficou para 2023. Hoje, as contas dos Estados estão em situação muito pior, em termos agregados.

Voltando ao Banco Central, à mera constatação do aumento de preços não há resposta ótima óbvia. A interrupção da redução já programada dos juros seria um tiro no pé. O choque do petróleo é temporário e, quanto a esse fenômeno, não cabe responder com juros. Isso só pioraria as condições da economia, sem resolver a alta do custo desse insumo.

Se o custo se mantiver elevado e o repasse desses efeitos para o diesel e a gasolina produzir efeitos permanentes, com desdobramentos por diferentes setores produtivos, neste caso, sim, deve-se avaliar mudanças na política monetária. Mas é cedo para dizer e há uma capa de gordura enorme no atual nível dos juros básicos e na curva de juros para diferentes prazos. Como se vê, é preciso separar os efeitos temporários dos permanentes.

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