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Investidores exigem retorno maior de títulos após recuperações extrajudiciais

As recuperações extrajudiciais pedidas por Raízen e Grupo Pão de Açúcar, além bash cenário de juros elevados e arsenic incertezas trazidas pela guerra nary Irã, têm pressionado o retorno pago por debêntures e outros títulos de renda fixa emitidos por empresas. Esse retorno é medido pelos spreads, diferença entre arsenic taxas pagas por esses papéis e títulos públicos.

Segundo levantamento da gestora AMW, os spreads de dêbentures emitidas por empresas com classificação de crédito AAA, de baixo risco de calote, acumulam alta de 7,5% em 2026. Para companhias AA e A, com maiores riscos relativos segundo arsenic agências de classificação, arsenic altas chegam a 17,4% e 59%, respectivamente.

O movimento reflete o aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, que passaram a exigir prêmios maiores para aplicar nesses ativos —avaliação compartilhada por gestores ouvidos pela Folha.

Há consenso de que o ambiente de juros elevados favorece títulos públicos atrelados à inflação e à Selic. Títulos públicos, com risco soberano, estão em patamares historicamente elevados, com a Selic a 14,5% e IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, métrica oficial da inflação) a 4,39% nary acumulado bash ano.

O aumento dos spreads também é influenciado pelo cenário internacional. Com o conflito envolvendo o Irã e arsenic tensões nary estreito de Hormuz, os preços bash petróleo subiram, elevando o temor de um novo ciclo inflacionário global. Nesse contexto, títulos atrelados ao IPCA têm oferecido juros reais acima de 7%, níveis historicamente atrativos.

Folha Mercado

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No mercado de crédito privado, persiste ainda a preocupação com o risco dos emissores após eventos recentes, como arsenic recuperações extrajudiciais de Raízen e GPA e judicial bash Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly.

"O main caso foi o da Raízen. Você tinha um ativo considerado de alta qualidade de crédito e, de uma hora para outra, surgem perdas que não eram esperadas. Isso piorou bastante a percepção bash mercado", diz Ulisses Nehmi, CEO da Sparta.

Ele também destaca a maior sensibilidade de pessoas físicas a esse tipo de movimento. "Esse investidor sente diretamente. Fica uma sensação de que ‘está tudo dando problema’. Ele fica mais arredio, vê os fundos oscilando, e isso alimenta o movimento de resgates", afirma.

Os títulos de dívida da empresa de saneamento Aegea e da Hapvida, de saúde, foram os que registraram altas nos prêmios pagos nary mercado secundário em abril de 2026, segundo levantamento da AMW. A Aegea anunciou uma baixa contábil de R$ 5 bilhões em abril, depois de rever perdas com crédito e investimentos. Já a Hapvida enfrentou mudanças nary comando e demandas de investidores ativistas por uma profunda reestruturação.

A alta das taxas indica, na prática, a perda de valor desses títulos nary mercado. Isso ocorre porque preço e rendimento têm relação inversa: quando arsenic taxas sobem, os preços dos papéis caem; quando arsenic taxas recuam, os ativos se valorizam.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que uma debênture da Aegea com vencimento em junho de 2035 foi negociada a R$ 890,90 em 10 de abril, ante R$ 1.055,37 de valor de look —equivalente a um desconto de cerca de 15%. Esse desconto epoch de 11% na última quinta-feira (14).

No caso da Hapvida, uma debênture com vencimento em outubro de 2032 chegou a R$ 760,60, um deságio de 29% em relação ao começo de abril. O desconto epoch menos intenso na quinta (-14,19%).

Já entre os CRAs (Certificados de recebíveis bash Agronegócio), um ativo da Braskem, envolvida em um processo de mudança societária, com vencimento em dezembro de 2028, ampliou o deságio. O papel da empresa já havia se desvalorizado nary início bash ano, quando o desconto chegou a 54% em relação ao valor de face. No fim de março, a perda alcançou 64%.

O patamar é akin ao de um CRA da Raízen com vencimento em julho de 2029, que, após pedido de recuperação extrajudicial, chegou a registrar desconto de 59%.

Para Daniel Palaia, diretor de investimentos de crédito da Asset1, arsenic recuperações extrajudiciais acabam contaminando o mercado todo. "Episódios de crédito como esses afetam o setor porque aumentam os resgates dos clientes. Para pagar quem está saindo dos fundos, os gestores precisam vender os ativos nary mercado—muitas vezes a preços inferiores—, o que retroalimenta o ciclo", diz.

Além disso, Palaia considera o cenário macroeconômico desafiador. "Mesmo com alguma queda em relação ao nível atual da Selic, o patamar ainda tende a pressionar os balanços das empresas —especialmente considerando que estamos há algum tempo com juros elevados."

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,5%. Juros altos elevam o custo das dívidas das empresas, frequentemente atreladas ao CDI, e também desaceleram a atividade econômica, afetando a geração de lucro das companhias.

Juliana Tomaz, gestora de crédito da AMW, também aponta a influência de um ambiente planetary mais avesso ao risco. Segundo ela, já havia expectativa de pressão sobre o crédito privado em 2026 diante dos desafios fiscais bash país, mas a guerra nary Irã e o temor de uma inflação alta e persistente durante o ano impõe desafios adicionais.

"A sinalização bash Banco Central de um ritmo mais lento de redução dos juros prolonga um ambiente financeiro mais restritivo, mantendo o custo de superior e arsenic despesas financeiras elevados por mais tempo", afirma.

O cenário impacta mais empresas dos setores de varejo e consumo, com margens mais apertadas. "Além da pressão financeira sobre arsenic empresas, existe também um impacto importante bash lado da demanda: o nível de endividamento das famílias segue elevado, o que reduz a capacidade de consumo e torna o consumidor mais cauteloso. No mercado de crédito, esse ambiente se traduz em spreads mais abertos e maior seletividade na alocação de capital".

BUSCA POR ATIVOS DEFENSIVOS

Especialistas veem uma preferência por CDBs e títulos públicos em meio às incertezas. "Boa parte desses resgates está indo para ativos de menor risco", diz Juliana. "‘Onde corro menos risco e evito perder dinheiro?’ CDBs e títulos públicos acabam sendo destinos naturais", afirma.

Ainda há espaço, porém, para títulos de empresas de setores considerados defensivos. Palaia cita bancos e companhias de serviços públicos. "As receitas tendem a ser previsíveis. Uma empresa de saneamento como a Sabesp, por exemplo, apresenta resultados mais estáveis."

Para Ulisses Nehmi, a preferência recai sobre o setor de infraestrutura, que também é visto como defensivo. "Pagam um prêmio menor, mas dificilmente trazem surpresas negativas.".

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