A aprovação na Câmara da proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda foi comemorada pelo Palácio do Planalto como um marco na agenda econômica e social do governo Lula (PT). A medida deve ser explorada politicamente pelo presidente, que busca consolidar sua imagem de aliado das classes menos favorecidas em meio à aproximação da disputa eleitoral de 2026.
Confirmada a aprovação pelo Senado Federal, o governo Lula levará ao ar uma campanha publicitária destacando a isenção para quem ganha até R$5 mil mensais e a taxação dos mais ricos como prova de que trabalha por um "Brasil mais justo".
O governo avalia ainda a convocação de rede nacional para que Lula anuncie a medida após sua sanção. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse à reportagem que essa é uma medida estruturante ao promover o combate às desigualdades.
A gestão do petista já tinha planejado peças publicitárias sobre a reforma do IR no fim do ano passado, antes da tramitação no Congresso. A ideia já era usar o mote de "Brasil mais justo".
Mas o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi contra sua veiculação à época, sob o argumento de que era prematuro fazer a divulgação antes da análise pelo Legislativo.
O avanço do projeto do IR ocorre em um momento de recuperação da popularidade de Lula, após meses de desgaste com temas fiscais e disputas no Congresso. Com o fôlego renovado pelas manifestações contra a anistia aos envolvidos na trama golpista, o governo tem conseguido reforçar a narrativa de que está entregando resultados concretos, apesar das dificuldades.
Parlamentares da base e ministros próximos a Lula já tratam a atualização do IR como um trunfo da campanha do PT nas próximas eleições, reeditando bandeiras históricas do partido como a da redistribuição da renda.
A maré positiva para Lula foi alimentada também pela sinalização de Donald Trump, durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), de que poderia se reunir com o presidente brasileiro. A possível aproximação com o republicano reduziu a margem de manobra da oposição nos ataques à gestão do petista.
O bolsonarismo vinha até então explorando a guerra comercial promovida por Trump como argumento de que o governo Lula estaria fragilizado diante de um cenário internacional hostil. A disposição do presidente americano em dialogar com o petista enfraqueceu a narrativa, dando a Lula, de acordo com seus auxiliares, a chance de se apresentar como interlocutor capaz de manter relações institucionais mesmo com líderes ideologicamente distantes.
Para auxiliares de Lula o gesto de Trump pode ser capitalizado como sinal de prestígio diplomático, ao mesmo tempo em que reforça a ideia de que Lula tem condições de proteger os interesses brasileiros em meio às turbulências geopolíticas. A leitura é de que, somada às vitórias internas, a movimentação fortalece a posição do presidente no próximo ciclo eleitoral.
Um possível entendimento com Trump na área tarifária também é apontado como fator que aprofundou divisões na direita brasileira e contribuiu para o sinal de desânimo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação a uma eventual candidatura presidencial em 2026.

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