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Jerônimo exalta Jaques Wagner em agenda política na Bahia: 'para eles, o erro é cuidar de pobre'

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), fez nesta sexta-feira (26) uma defesa pública do senador e pré-candidato à reeleição Jaques Wagner (PT).

Foi a primeira agenda em que os dois apareceram juntos desde que o senador foi alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Em discurso na cidade de Barreiras, oeste da Bahia, Jerônimo exaltou a trajetória política de Jaques Wagner. Com a voz embargada, disse que o senador vai provar sua inocência.

"É o primeiro ato público com Wagner depois do que quiseram fazer com ele. Ele esteve lá anteontem, conversou com o amigo dele, amigo nosso, o Lula, e se acertou porque, para além de um cargo de liderança, está o Brasil e a Bahia. E nós vamos mostrar, nós vamos provar que, se você tem um erro na vida, para eles o erro é cuidar de pobre e dedicar a sua vida. Nós confiamos em você", afirmou o governador.

Jaques Wagner deixou nesta quarta-feira (24) o cargo de líder do governo no Senado. Ele resistia à ideia de deixar a liderança do governo, mas disse ter havido um "comum acordo". Sua saída foi consumada depois de reunião de cerca de duas horas com o presidente Lula (PT).

A fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF na última semana apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Além de Wagner, foram alvos Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo Jerônimo Rodrigues (PT-BA).

Os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Lima ao "núcleo familiar" de Wagner, o que, segundo o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é uma das evidências de proximidade entre o parlamentar e o senador.

Wagner também teria recebido de Lima um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de viagens gratuitas em jatinhos ligados ao Master, e ingressos para assistir a um show de uma "cantora internacional" em Los Angeles, em 2023.

Em endereços ligados ao senador, agentes da Polícia Federal encontraram US$ 55 mil e 33 mil euros (cerca de R$ 471 mil, em valores atuais).

Um dia depois de deixar a liderança do governo no Senado, Jaques Wagner afirmou à Folha que reclamou com o presidente Lula da atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília.

"Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", afirma.

Para ele, a divulgação das imagens violou a orientação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) —que determinou que a busca e apreensão ocorresse "de forma discreta" pelo "caráter sigiloso da investigação".

Na entrevista, Wagner admitiu ter relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, e afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários.

Ele revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que o dinheiro tem origem legal.

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