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Lula deve oferecer Ministério da Indústria a Márcio França para tirá-lo da eleição e consolidar palanque em SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou a aliados que agirá para tirar o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), da eleição deste ano e consolidar seu palanque em São Paulo em torno da candidatura a governador de Fernando Haddad (PT).

A ideia estudada por Lula, apurou a Folha, é oferecer a França até o fim do atual mandato o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, hoje comandado pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). Ele deixará o posto porque precisa se desincompatibilizar para concorrer nas próximas eleições.

Segundo relatos, Lula já avisou a aliados que gostaria de nomear França em um ministério maior que o do Empreendedorismo. Essa promoção seria uma espécie de prêmio de consolação para o político, que pretendia concorrer ao Senado pelo estado de São Paulo.

França também nutria o desejo de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, sob o argumento de que sua candidatura seria estratégica para levar a disputa pelo governo de São Paulo para um segundo turno. Se aceitar a oferta, ele não deixará o governo.

Aliados de Márcio França também afirmam que uma candidatura de França em São Paulo seria importante para aumentar o volume das críticas ao atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará reeleição.

O raciocínio é que Haddad, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que deverão disputar a eleição ao lado do petista, não têm perfil de enfrentamento.

Lula indicou que gostaria de ter Alckmin como candidato a senador em São Paulo, apesar de ele preferir continuar na vice. O vice-presidente também não tem perfil de embate político.

Integrantes do PSB gostariam que Márcio França fosse candidato a deputado federal para fortalecer a chapa do partido em São Paulo e tentar aumentar sua bancada na Câmara. Em 2022, a sigla elegeu dois dos 70 deputados federais do estado.

França deverá conversar com Lula sobre seu destino político na semana que vem. Aliados do presidente afirmam que a proposta já chegou aos ouvidos do ministro. Mas ele não se definirá sem antes conversar com o chefe do governo.

Políticos próximos do pessebista avaliam que ele poderá aceitar a troca caso consiga de Lula uma sinalização de que terá mais protagonismo em um eventual novo mandato do petista.

Nesta quinta-feira (26), o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, reuniu-se com França para discutirem o cenário político no estado.

O eleitorado paulista é o mais numeroso do Brasil. Lula e seu entorno avaliam que só haverá reeleição se o PT conseguir ao menos repetir o resultado que teve em São Paulo em 2022.

No total, Tarcísio teve 55% dos votos contra 45% de Haddad naquela disputa. Apesar da derrota, o resultado foi o melhor da história do PT no estado.

Haddad resistiu por meses à hipótese de se candidatar, mas cedeu à pressão de Lula e anunciou na última quinta-feira (19) que concorrerá ao governo paulista. Um dos principais fatores que o levou a tomar essa decisão foi o risco de derrota do atual presidente.

Petistas têm pouca esperança em uma vitória contra Tarcísio. O principal objetivo da candidatura de Haddad será dar volume à campanha de Lula em São Paulo, que tem o maior eleitorado do país.

Uma das principais preocupações é a possibilidade de Tarcísio vencer no primeiro turno e a disputa presidencial entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) for para o segundo turno. Nesse cenário, o volume da campanha petista em São Paulo diminuiria muito na etapa final da eleição.

Pesquisas de intenção de voto mostram Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. Recentemente, a cúpula do governo petista passou a instruir aliados a partirem para o ataque contra o adversário.

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