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Lula intensifica agenda voltada às mulheres para evitar perda de apoio feminino

O presidente Lula (PT) intensificou agendas voltadas às mulheres nos últimos meses, em um gesto voltado ao eleitorado feminino, entre o qual perdeu vantagem nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

Somente nesses primeiros meses do ano, o petista se envolveu em mais de dez ações voltadas a esse segmento, entre seminários, cerimônias e publicação de medidas em benefício às mulheres —sempre acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Segundo auxiliares do Planalto, a esposa do presidente teve forte influência na ampliação da presença do tema na agenda presidencial e nos discursos de Lula.

Entre os episódios mais recentes dessa influência esteve a realização do evento Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os três Poderes logo após a repercussão de uma série de crimes dessa natureza no país.

A pesquisa Datafolha mais recente mostrou que Lula perdeu a vantagem que tinha no público feminino.

No levantamento de março, em um cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente tinha o apoio de 50% das mulheres, contra 37% de Flávio.

Em abril, a diferença de 13 pontos virou empate técnico, com 47% dos votos nesse segmento para o petista contra 43% do filho de Jair Bolsonaro (PL) —a margem de erro é de três pontos percentuais nesse estrato.

As ações de Lula para atrair a simpatia desse eleitorado ocorrem em um mandato marcado por uma sequência de declarações machistas do presidente.

Em abril do ano passado, por exemplo, ele chamou a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, de "mulherzinha" e, no mês anterior, disse ter nomeado uma "mulher bonita" (Gleisi Hoffmann) no ministério para "melhorar a relação" com o Congresso.

A frequência de agendas com temas voltados ao grupo feminino aumentou a partir do segundo semestre do ano passado.

No período, foram sancionadas mais de cinco leis com benefício direto ou indireto a esse público, incluindo um pacote com três projetos relativos à violência contra a mulher. Os textos preveem, entre outras medidas, o uso imediato de tornozeleira eletrônica para agressores e a tipificação do crime de vicaricídio (assassinato de filhos ou parentes como parte da violência doméstica).

Além disso, o governo publicou em fevereiro decreto que aprimora o funcionamento do Ligue 180, número de telefone voltado a denúncias, e instituiu o dia 17 de outubro como o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.

Neste mês, Lula sancionou a regulamentação da profissão de doula, responsável por acompanhar gestações e partos.

O Planalto também promoveu um seminário para servidores da Presidência contra o feminicídio, em fevereiro. Organizado pelo chamado Conselhão, órgão vinculado à Secretaria de Relações Institucionais, o evento separou um salão para mulheres e outro para homens. Janja e Lula participaram assistindo às palestras em seus respectivos grupos.

O petista buscou também dar ênfase à presença de mulheres no esporte com alguns eventos e ações da área. Uma delas foi o encaminhamento ao Congresso de um projeto de lei com medidas relativas à realização da Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 no Brasil.

Ao receber campeões mundiais de futebol no Planalto, como parte da cerimônia do Tour da Taça da Copa do Mundo, o plano inicial também era receber o troféu da Copa Feminina, o que não ocorreu. Segundo informou a organização na época, por problemas de logística, o item não chegou a tempo.

Lula também passou a incluir o tema da violência contra a mulher em quase todos os seus discursos. A influência de Janja, por sua vez, foi igualmente verbalizada pelo presidente em mais de uma ocasião.

"Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. De noite, vendo o Fantástico, a Janja voltou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu para mim: 'Assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra'", declarou durante evento em Pernambuco, em dezembro do ano passado.

Apesar dos eventos e medidas voltadas às mulheres, o ministério de Lula é majoritariamente composto por homens.

Após a saída dos ministros e ministras para disputarem as eleições, a participação das mulheres foi ainda mais reduzida —de 10 para 8, entre as 38 pastas.

Quatro foram substituídas por homens, com Bruno Moretti no lugar de Simone Tebet no Planejamento, João Paulo Capobianco no de Marina Silva em Meio Ambiente, José Guimarães no de Gleisi Hoffmann em Relações Institucionais e Eloy Terena no de Sônia Guajajara em duas Povos Indígenas).

Em outras duas pastas, mulheres assumiram o lugar de ministros: Miriam Belchior no lugar de Rui Costa na Casa Civil, e Fernanda Machiaveli no de Paulo Texeira no Desenvolvimento Agrário.

A pauta da inclusão das mulheres também rondou o entorno de Lula quando setores da sociedade cobraram do presidente a indicação de uma ministra para o STF (Supremo Tribunal Federal). O petista, no entanto, optou por homens nas duas indicações que fez para a corte.

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