Noves fora as farofas, impropriedades e onipotências de alguns ministros do STF, talvez esta seja a hora de dar um freio de arrumação na magistratura.
Com a Constituição de 1988, perdeu-se a oportunidade de transformar o Supremo em corte constitucional. Isso se deveu inclusive ao interesse de alguns ministros que, com a mudança, perderiam poder. Resultado: o Supremo virou uma quarta instância, recebendo litígios triviais e acumulando superpoderes que deram no que deu.
Uma série de circunstâncias e ambições levou o STF ao centro do palco, um problema inédito e desnecessário.
O Supremo é o topo de uma pirâmide mal-ajambrada. Nenhuma magistratura funciona direito com 80 milhões de processos tramitando e com 35 milhões de novos casos a cada ano. Daí advém uma sobrecarga que é metabolizada em penduricalhos y otras cositas más.
O palhaço Tiririca estava errado: o que vai mal piorará.
Mariz, 55 anos de advocacia
O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira lança na quinta-feira, em seu escritório de São Paulo, o livro "Casos e causos - A trajetória de um defensor". São 55 anos de advocacia em 272 páginas e 50 casos.
Tem de tudo. A mulher pobre que mata o companheiro que molestava a filha (absolvida). Como assistente de acusação, Mariz condenou filhos que mataram a mãe, viu ministro do Supremo maltratando advogado e promotores mais interessados em acusar do que em buscar a justiça. Tudo isso e mais uma referência à defesa da princesa Caroline de Mônaco, ofendida por um grã-fino paulista.
Em sete páginas, Mariz conta o seu caso de maior repercussão, a defesa do ex-presidente Michel Temer, em 2017. Os dois partilham "uma amizade que ultrapassa meio século". Sai mal no episódio o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, com sua famosa frase "enquanto houver bambu, lá vai flecha".
Mariz critica o tratamento dado ao grampo da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista: "Foi apontada a existência de uma série de interrupções e hiatos na gravação". Com a defesa de Mariz, a Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia de Janot. Esse caso/causo chama-se "Em defesa de um amigo".
"Casos e Causos" repassam 55 anos de trabalho de um advogado que está de bem com a vida. Seus personagens são de carne e osso, mas Mariz pincela passagens com críticas e louvores ao funcionamento do Judiciário. É um curso-relâmpago de direito.

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