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Lula vai redistribuir cargos após demissão de infiéis

O governo Lula planeja redistribuir entre parlamentares alinhados as vagas abertas com a demissão dos indicados por deputados que contrariaram o Palácio do Planalto durante votações de interesse do Executivo. Lideranças do Congresso deverão ser chamadas para reuniões com a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), para indicação de nomes para esses postos.

Na semana passada, o governo começou a demitir apadrinhados dos parlamentares que votaram contra a medida provisória (MP) que aumentava a arrecadação para compensar a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais.

A Câmara dos Deputados impôs essa derrota ao Palácio do Planalto ao retirar de pauta a proposta de aumento da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) das fintechs prestadoras de serviços financeiros digitais, que atuam como bancos - de 9% para 15%.

A MP também previa o aumento de taxação sobre o Juros sobre Capital Próprio (JCP), de 15% para 20%, utilizado para remunerar acionistas de grandes empresas. Publicada para compensar um recuo do Executivo na tentativa de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a MP era apontada como fundamental para o governo Lula.

Dois dias após a derrota, a gestão petista deu início ao processo de mapeamento e exoneração dos ocupantes de cargos indicados por políticos que votaram contra o texto, em uma primeira ação para retaliar os integrantes da base governista que não têm seguido as orientações do Planalto.

Cinco superintendentes regionais de ministérios ligados ao MDB e PSD foram exonerados. Um auxiliar de Lula diz que os aliados foram alertados de que essa votação era decisiva e que aqueles que se posicionassem contra a medida provisória fariam a opção de sair do governo.

As primeiras consequências apareceram no Diário Oficial da União, com a exoneração dos superintendentes do Ministério da Agricultura no Pará, Paraná, Minas Gerais e Maranhão. No Ministério dos Transportes, a superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de Roraima perdeu o cargo.

Essa é a primeira etapa da reorganização a cargo da SRI. A segunda etapa envolverá as reuniões de lideranças do Congresso com Gleisi para a indicação de nomes.

Nessa primeira fase, as demissões causaram insatisfação principalmente no PSD, de acordo com deputados ouvidos pela reportagem. Um líder da sigla classificou a ação do governo como pouco inteligente e sem sentido, já que a sigla foi a segunda com maior apoio à MP, atrás apenas do PT.

O PSD orientou voto contra a medida provisória, numa ação coordenada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab. Já o MDB declarou voto a favor. Ambas as bancadas racharam, no entanto. No PSD, foram 20 votos a favor do governo e 18 contra. No MDB, 16 votos governistas e 14 contra.

De acordo com parlamentares, as exonerações também alcançaram estatais, como Correios e Caixa Econômica Federal, com demissões em cargos de assessoria e administração regional.

A medida provisória era uma das principais apostas do governo Lula para manter a arrecadação crescendo em 2026 e evitar a necessidade de corte de despesas e investimentos no ano eleitoral. A derrota, por 251 votos a 193, levou o governo a retaliar aliados que foram infiéis, partidos que se dizem na oposição e tinham cargos também foram afetados.

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