2 horas atrás 2

Malu, jornalista

Malu Gaspar, de O Globo, publicou os dois "furos" jornalísticos mais relevantes do crepúsculo de 2025.

Primeiro, o conteúdo do contrato do escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master. Depois, os contatos telefônicos do ministro do STF com o BC dedicados à crise do Master.

O que seria apuração jornalística, em tempos menos anormais, tornou-se conspiração imperdoável, aos olhos do gabinete do ódio petista. O episódio solicita uma breve aula sobre as fontes da imprensa profissional.

Fonte é qualquer detentor de uma informação oculta de interesse público. As legislações democráticas protegem o sigilo da fonte, sem o que não existe jornalismo de verdade. No mais das vezes, a informação revelada atinge interesses de figuras poderosas e, portanto, a fonte só falará se tiver garantia de anonimato.

Quem mostraria o rosto para denunciar o policial que se dedica à chantagem ou o chefe do tráfico na comunidade?

Os capos da militância que ataca Malu reivindicam a "prova" —isto é, a identidade de suas fontes. Há, aí, dois erros graves. Eles simulam ignorar que o jornalismo não faz prova, um conceito pertencente ao sistema judicial, mas divulga informações. Ao mesmo tempo, evidenciam seu desprezo pela democracia: são regimes de força que exigem a exposição de fontes, a fim de calar a sociedade.

Fontes falam por motivos diversos: indignação cívica, interesse em incinerar a imagem de um personagem relevante, mero desejo de vingança. Escroques funcionam, às vezes, como fontes. O jornalista pode conhecer ou não as motivações de suas fontes —mas isso pouco importa.

O que importa são as respostas a duas perguntas singelas: 1) é verdade?; 2) é de interesse público? Se as respostas forem "sim" e "sim", o jornalista tem o dever de publicar.

Fontes podem mentir. Malu, anos atrás: "Você tem que saber aproveitar e não se submeter ao jogo de interesses das fontes. É legal estar ali sempre alerta, tentando descobrir onde está a verdade e onde estão tentando te enganar". O jornalista vive de credibilidade: deixar-se manipular por uma fonte e publicar informação incorreta atenta contra seu único tesouro.

São os detratores de Malu que precisariam evidenciar a hipotética falsidade de seus "furos" —mas eles nem tentam fazer isso.

Os capos organizam seu bombardeio em torno de suas próprias respostas à indagação "a quem serve?". Segundo eles, as informações serviriam à guerra do bolsonarismo contra Moraes. Equivocam-se: a exposição de eventuais desvios éticos ou tráfico de influência no STF serve para punir distorções, aperfeiçoando a instituição, algo negativo para o golpismo.

Contudo, no fim das contas, a indagação deles é estranha ao universo da imprensa profissional. O jornalista-militante só publica o que imagina servir aos interesses dos seus. O jornalista de verdade publica o que é de interesse público, deixando aos cidadãos a possibilidade de extrair conclusões políticas. Malu é da segunda família.

Os difamadores de Malu são, explicitamente, militantes políticos. Mas, paradoxalmente, dirigem à jornalista a acusação gratuita de que ela operaria segundo desígnios políticos. É igual ao que fazem as redes bolsonaristas, apenas com sinal invertido. Finalidade compartilhada: desacreditar a imprensa para proteger seus ídolos.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro