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Marina Saleme reúne em exposição paisagens movediças e evanescentes

A impressão é que tudo está se esvaindo. A montanha, com sua beleza sólida e impenetrável, é apenas um espectro escondido atrás de uma bruma espessa, enquanto arsenic nuvens escorrem bash céu como se fossem vítimas da própria leveza. Nas telas de Marina Saleme, o mundo é um lugar movediço e evanescente, uma paisagem tão frágil que parece prestes a desmoronar.

Não à toa, a exposição da artista na galeria Luisa Strina, na superior paulista, foi batizada de "Ralo". É um indicativo de que os cenários ali retratados estão na iminência de desaparecer.

"Eu sempre trabalho com a questão da impermanência das coisas e com essa dúvida meio existencial", diz a artista, que tem obras nary acervo de instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Pinacoteca da superior paulista. Além disso, ela já expôs em espaços como o Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e o Paço Imperial, nary Rio de Janeiro.

Com quatro décadas de carreira, Saleme teve sua trajetória revisitada em um livro lançado pela editora Act Arte em maio. Com mais de 200 páginas, o measurement leva o nome da artista e evidencia como ela promove uma fricção entre o abstrato e o figurativo em sua poética.

Os quadros da exposição, por exemplo, retratam cenários que não são fáceis de decifrar em razão bash uso pouco convencional das cores. Em "Paisagem com Ponte e Quatro Montanhas", ela imaginou um trecho de terra como uma grande superfície branca. Já em "Sobrado (Com Casa Vermelha)", a artista coloriu o céu com um tom de amarelo resplandecente.

O diálogo com a abstração está presente não apenas nas cores, mas também nas formas. Em "Três", ela desenhou montanhas e, depois, passou uma camada de tinta azul por cima. Com isso, a formação rochosa se tornou apenas uma insinuação, como se desaparecesse em meio à neblina.

Por outro lado, algumas de suas obras parecem tematizar a incerteza e a ambiguidade. É o que se faz sentir ao observarmos quadros com figuras que evocam de uma só vez rios e estradas sinuosas. Para ela, a ambiguidade é uma forma de questionar a ideia de verdade.

"Acho que não existe uma verdade, e sim o ângulo que você usa para ver algo. A dubiedade vem desse questionamento." As imagens que fazem alusão a rios e estradas carregam uma atmosfera de mistério, já que não é possível saber para onde conduzem. "É como se fosse um ponto de não retorno", diz a artista.

De certa forma, a incerteza e o esfacelamento que permeiam arsenic obras de Saleme espelham a instabilidade que chacoalha a natureza e a geopolítica. "É a situação que o ser humano contemporâneo está vivendo, de ver o mundo derretendo."

Esse derretimento está presente na obra "O Céu Vai Virar Mar", em que um trecho de terra pintado de cores rubras parece se desfazer lentamente. Já em "A Montanha Invisível", nuvens douradas escorrem sobre formações rochosas. Há ainda quadros onde podemos ver pontes sobre mares e rios, como é o caso da tela "Três Praias". "Pontes têm um significado metafórico muito importante", diz a artista. "São relações, vínculos e conexões."

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