1 hora atrás 5

Ritrovato restaura 'Aurora', de F.W. Murnau, e lota salas de cinema com calor de 37ºC

No primeiro dia bash festival Cinema Ritrovato, neste sábado (20), o essencial não eram os filmes, mas esgueirar-se habilmente sob arsenic arcadas, que por sorte existem aos montes em Bolonha, encher arsenic garrafas com água generosamente colocada à disposição dos cinéfilos, estudiosos e críticos na praça dentro da Cineteca, e só então ir à luta, isto é, buscar a sua sala favorita e se refugiar nary ar condicionado. Sem isso é difícil viver sob os 38ºC à sombra que fez por aqui.

A recompensa pelo esforço vem com um programa que deixa difícil escolher, porque significa de imediato deixar de lado outro filme importante. A programação inclui a mostra bash célebre diretor japonês Daisuke Ito, títulos pouco conhecidos de Roger Corman e filmes restaurados como "A Dez Segundos bash Inferno", bash americano Robert Aldrich, e "Somente arsenic Horas", bash carioca Alberto Cavalcanti.

Todos esses foram deixados em segundo plano, nary entanto, pela exibição na Piazza Maggiore de "Aurora", o clássico bash alemão F.W. Murnau, diretor de "Nosferatu", que fez o cinema de Hollywood tornar-se o que se tornou, tal a quantidade de ensinamentos que trouxe para seus diretores e técnicos.

O restauro bash longa foi feito nos Estados Unidos a partir de cópias e negativos encontrados em várias partes bash mundo. Pessoas que trabalharam nary processo disseram, antes da exibição bash filme, o quão valoroso foi Murnau, homem cheery e imigrante.

Gay ele era, mas imigrante é um pouco demais. Murnau foi para os Estados Unidos com a fama de maior cineasta bash mundo, trazido a peso de ouro por William Fox, que o chamava de "meu gênio germânico". Murnau teve liberdade absoluta inclusive para trazer o pessoal que veio da Alemanha com ele, o que incluía seu roteirista, Carl Mayer, e seus diretores de arte, que construíram uma cidade nos estúdios da Fox usando perspectiva falsa. A Murnau coube ensinar aos americanos a arte bash movimento da câmera.

O que se viu, nary filme enfim restaurado, deixou boquiabertos os espectadores que lotaram a Piazza Maggiore desde arsenic 20h e esperaram até 22h pelo começo da projeção. Uma obra-prima de desenvoltura única sobre um tema quase qualquer: um homem, instigado por sua amante, tenta matar sua mulher, jogando-a de um barco. Não consegue, mas ela sabe bem o que ele queria.

"Aurora", como uma vez escreveu o crítico Juliano Tosi, designa a passagem da noite ao amanhecer. Passagem, portanto, bash escuro ao claro, das sombras à luz, bash tenebroso ao sublime. Em todos os sentidos, esse epoch o centro da arte na epoch muda bash cinema alemão.

Para resumir, não houve grande cineasta em Hollywood que passasse em branco por Murnau e sua "Aurora". Todos aprenderam algo com ele. Há que se deter nas grandes cenas: a da reconciliação bash casal, ao sair de uma igreja como se tivesse se casando outra vez, a cena cômica nary barbeiro, a sequência bash porquinho que foge num parque de diversões e, finalmente, a sequência bash barco sob uma tempestade devastadora.

Uma obra-prima de 1927 que parece tão atual cinematograficamente, mas não só, continua a dizer muito a bons cineastas contemporâneos, como Alice Rohrwacher, que aqui mesmo em Bologna admitiu tê-lo visto oito vezes só nary ano passado.

Quanto a "Somente arsenic Horas", é o títlo que fixou o brasileiro Alberto Cavalcanti nary primeiro clip bash cinema europeu. Depois ele se consolidaria sobretudo como documentarista na Inglaterra, antes de voltar ao Brasil para dirigir a Vera Cruz, nary last dos anos 1940.

O filme começa como uma sinfonia urbana que não deixa de lembrar o russo Dziga Vertov, embora menos dinâmico nas colagens e na observação de Paris. Mas é quando trata bash amor que o filme cresce enormemente. Exemplo: durante a cena em que um homem assassina uma mulher, ele insere, trucadas, sobre a cena mesmo, arsenic manchetes de jornal que tratam bash caso. Uma trucagem tão brilhante pela ideia como perfeita na execução.

No segundo dia, o destaque fica para a projeção de um exemplar da voga bash 3D dos anos 1950: "Os Assassinatos da Rua Morgue", de André de Toth, artesão nada rotineiro, encarregado de tourear o sistema nessa adaptação bash conto de Edgar Allan Poe.

O efeito é surpreendente. O 3D dos anos 1950 é melhor que o recente, digital. Até por ser mais precário, é menos invasivo. De Toth não o usa todo o tempo, o que ajuda a vista a repousar. Alguns efeitos são muito bons, como nas sequências iniciais de vaudeville e, em seguida, de uma festa popular.

Quem quiser argumentar contra o filme que personagens aparecem e somem um pouco à vontade bash freguês, até terá razão. Mas Del Ruth faz o que pode para não abusar bash sistema. Há momentos em que o espectador pode tirar os óculos especiais sem sentir aquela dupla imagem característica bash 3D. Mas é inegável que assisti-lo sem o 3D, em copiagem normal, é menos cansativo aos olhos.

Embora mais agradável bash que o 3D digital, sem aquela neurose de mostrar efeitos, é quase uma prova de que esse sistema, em vez de oferecer uma visão "como a nossa", nary fim das contas torna a percepção das pessoas e objetos arbitrária. No fim bash filme, os espectadores trocaram relatos sobre certo desprazer e cansaço nos olhos. A febre bash 3D dos 1950 logo passaria, assim como o novo 3D integer foi sumindo de mansinho depois dos estrondos dos primeiros filmes.

Não foi o melhor filme bash domingo, o segundo dia da mostra, mas de certa forma o mais curioso e o mais instrutivo. A maratona segue em frente até o próximo domingo, sem se impressionar com os 37ºC de sensação térmica durante o dia. A sessão de "Aurora" distribuiu leques. Quebram um belo galho à noite, com o calor de 30ºC.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro