Os mesmos jovens são apontados como possíveis agressores de outro cão, o Caramelo, que perambulava pela Praia Brava junto com Orelha. Ele escapou de uma tentativa de afogamento.
Enquanto as condições em que estes casos ocorreram ainda não foram esclarecidas, especialistas alertam para a existência de redes virtuais globais que incitam a tortura de animais, inclusive no Brasil.
Elas são parte de um submundo maior, em que a adoção de comportamentos radicais vira símbolo de status não só entre adultos, mas também entre crianças e adolescentes.
Sobre o cão Orelha, a primeira-dama, Janja da Silva, disse: "É um alerta doloroso sobre uma geração exposta, desde cedo, a discursos e conteúdos digitais que banalizam a violência e transformam a dor em entretenimento."
Por ora não há indícios de que os supostos autores das agressões contra Orelha e Caramelo tivessem conexão a estas redes.
Zoosadismo é fenômeno global
Orelha — Foto: Reprodução
Para especialistas, entretanto, o caso de Santa Catarina reforça a necessidade de famílias e instituições educarem a juventude sobre os direitos dos animais, protegendo-as da cooptação por ambientes virtuais maliciosos.
Uma das práticas incitadas por estas comunidades virtuais é o zoosadismo, que se dá quando uma ou mais pessoas ferem ou torturam um animal por prazer, sexual ou de outra natureza. Isso pode significar, por exemplo, maltratar um bicho pelo divertimento próprio ou de terceiros, se a agressão for filmada e compartilhada na internet.
O MPRS mantém um projeto de prevenção da radicalização e violência extrema entre menores de idade.
Ao redor do mundo, veio à luz nos últimos anos não só que o zoosadismo prolifera em fóruns próprios, como também que há quem lucre com eles. Em 2023, uma investigação da BBC revelou uma rede global de práticas sádicas contra macacos, que se estendia da Indonésia aos Estados Unidos.
De acordo com a reportagem britânica, centenas de clientes nos EUA, Reino Unido e outros países pagavam indonésios para filmar enquanto torturavam e matavam filhotes de macaco-de-cauda-longa.
Já no ano passado, a CNN mostrou que estes grupos vinham expandindo seu alcance não só ao redor do mundo, como também migrando para plataformas mais conhecidas, tais como Telegram, X e YouTube.
Em particular, o canal americano expôs uma comunidade dedicada a mutilar, torturar e matar gatos para ganhar dinheiro, adotando técnicas de extrema violência.
Três meses depois, no Reino Unido, dois adolescentes foram presos por torturar e matar dois filhotes de gato, que foram encontrados mutilados numa área verde de Londres.
Organizações de defesa de animais vêm chamando atenção à disseminação destas redes na internet, pedindo às plataformas que aumentem o controle sobre este tipo de conteúdo.
As publicações chegam a reunir várias dezenas de milhares de visualizações, com usuários sugerindo ou encomendando ainda mais crueldade. A notoriedade dentro do nicho se torna uma recompensa para abusadores e exporta o modelo dos vídeos para outros países.
Uma coalizão internacional de 45 organizações dedicada ao tema afirma ter recebido denúncias de mais de 80 mil links por suspeita de abuso animal em 2024.
A análise de uma amostra de 2 mil links mostrou que os conteúdos retratavam mil indivíduos de 53 espécies, sendo mais comuns os macacos, gatos e cachorros. Pelo menos 108 animais eram de espécies ameaçadas, como orangotangos, gorilas e chimpanzés.
Segundo a coalizão, apenas 36% da amostra havia sido removida pelas plataformas. O Facebook e o Instagram, ambos da Meta, hospedavam quase nove a cada dez conteúdos denunciados.
Em 2023, na esteira da denúncia da BBC sobre a tortura de macacos na internet, o Reino Unido determinou que as plataformas removam este tipo de conteúdo, sob risco de multas de até 18 milhões de libras esterlinas (R$130 milhões) ou 10% da sua receita anual global.
Crime passível de prisão no Brasil
O Conselho Federal de Medicina Veterinária define "maus-tratos" contra animais como qualquer ato que provoque dor ou sofrimento desnecessários, incluindo por negligência ou imprudência. Já "crueldade" ou "abuso" preveem intenção do agressor.
Maltratar animais é crime no Brasil, podendo ser punido com penas que variam de três meses a um ano de detenção. No caso de cães e gatos, a pena é maior desde 2020, com reclusão de dois a cinco anos.
Mas ativistas se queixam de que as punições por maus-tratos contra animais silvestres são frequentemente revertidas em medidas alternativas. Uma campanha do ano passado, que contou com a ativista Luisa Mell e o cantor Ney Matogrosso, pediu que estes crimes sejam equiparados aos contra cães e gatos.
Um levantamento de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNS) realizado pelo jornal O Globo mostrou que desde 2021, na esteira da introdução da punição para violência contra cães e gatos, houve salto de 1.400% nos processos por maus-tratos de animais no Brasil.
A terça-feira (27/01) foi o dia de infortúnio de outro cachorro comunitário, o Abacate. Morador de Toledo, no Paraná, ele foi baleado intencionalmente e teve o intestino perfurado. O animal morreu na mesa de cirurgia veterinária, e a polícia investiga o caso.
Com informações de Agência Brasil.

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
2 horas atrás
1
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/n/c/AcxAE2SVOumy6ra8pocQ/marca-d-agua.png)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/q/g/qKkAgdTYivAaNDvyBGgw/de-repente-humana.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/r/q/r9KCXBTYi9r1TRXEDfxw/bk-drive.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/W/U/e4ckq6RB2BqDE5vd1Xuw/whatsapp-image-2026-01-29-at-15.22.13.jpeg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)










Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro