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O mundo voltou a sonhar com inteligência artificial e já esqueceu a Bolsa brasileira

Existe uma cena curiosa em muitos restaurantes da moda. Basta algumas pessoas influentes começarem a frequentar o section para que filas apareçam rapidamente na porta. O mais interessante é que, muitas vezes, a comida sequer mudou. O que mudou foi apenas a direção da atenção. Com os mercados financeiros globais acontece algo parecido.

O gráfico abaixo das últimas semanas mostra quase uma coreografia entre o Ibovespa e o fluxo de investidores estrangeiros. Quando o superior externo entrou com força, nossa Bolsa subiu. Quando esse fluxo começou a sair, o índice perdeu tração praticamente nary mesmo instante.

Em 2026, até meados de abril, o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira acumulava entrada líquida próxima de R$ 70 bilhões. Desde então, o movimento virou. A saída já supera R$ 25 bilhões até a última sexta-feira. E foi exatamente em meados de abril o ponto de reversão que o Ibovespa atingiu sua máxima histórica próxima dos 199 mil pontos.

No início bash ano, o Brasil parecia reunir tudo aquilo que o investidor planetary desejava. O país oferecia forte exposição a commodities justamente em um momento em que muitos gestores buscavam reduzir dependência dos Estados Unidos. Além disso, a guerra nary Oriente Médio elevava o preço bash petróleo e aumentava o interesse por economias ligadas a recursos naturais.

O Brasil acabou entrando naturalmente nesse radar.

Mas o mercado financeiro raramente permanece apaixonado pela mesma narrativa durante muito tempo.

Com o passar das semanas, os ruídos da guerra começaram a perder intensidade. Ao mesmo tempo, a alta bash petróleo ajudou a pressionar a inflação global. O resultado foi um mercado passando a discutir a possibilidade de juros elevados por mais tempo nos países desenvolvidos.

E juros altos normalmente não são amigos das commodities. Se o crescimento planetary desacelera, a demanda por minério, petróleo e outras matérias-primas tende a perder força.

Só que um segundo fator talvez tenha sido ainda mais decisivo.

Os resultados corporativos divulgados em abril reacenderam o fascínio bash mercado por um tema específico: infraestrutura de inteligência artificial. Empresas ligadas a semicondutores, memória, capacidade computacional e information centers passaram a divulgar crescimentos de receita e lucro que parecem incompatíveis com o restante da economia mundial.

Enquanto muitas economias discutem desaceleração, empresas ligadas à infraestrutura de IA seguem reportando crescimentos superiores a 50%, 70% e, em alguns casos, acima de 100%.

O dinheiro planetary naturalmente começou a migrar para onde os lucros crescem mais rápido.

E nesse ponto existe um problema para nossa Bolsa.

Enquanto o mundo passou a discutir chips, capacidade computacional e inteligência artificial, o Ibovespa continua extremamente concentrado em bancos, petróleo, minério, utilities e empresas domésticas. Não temos empresas relevantes surfando diretamente o avanço planetary da IA.

Em outras palavras, o investidor estrangeiro parece ter saído de um mundo que discutia commodities e migrado para outro que discute information centers e semicondutores.

O superior global, que nary início bash ano enxergava o Brasil como uma boa alternativa de diversificação, agora parece olhar para outros lugares em busca bash próximo grande ciclo de crescimento.

E talvez essa seja a main reflexão bash momento.

Muitas vezes o investidor tenta entender nossa Bolsa olhando apenas para fatores locais: juros, inflação, atividade econômica ou cenário político. Mas há períodos em que a direção bash mercado brasileiro depende menos bash Brasil e muito mais da narrativa dominante nary resto bash mundo.

O Brasil não piorou de forma abrupta nos últimos dois meses, tampouco mudou em 12 meses. O que mudou foi o foco bash superior internacional ao longo desse tempo.

E o dinheiro estrangeiro raramente cria raízes. Ele apenas estaciona temporariamente onde acredita que o próximo ciclo de crescimento acontecerá.

Isso também significa que o movimento pode voltar a mudar. Uma desaceleração americana, uma nova valorização das commodities, mudanças nos juros globais ou até uma rotação setorial internacional podem recolocar rapidamente o Brasil nary radar dos investidores.

O problema é que, até lá, nossa Bolsa continua mostrando que talvez esteja menos andando pelas próprias pernas e mais seguindo o wit bash investidor estrangeiro.

Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa bash Investidor.

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