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O que líderes podem aprender com a Venezuela?

Ao longo de mais de 30 anos liderando organizações, vi esse padrão se repetir em menor escala, mas com a mesma lógica destrutiva. Tirar um líder tóxico do poder é relativamente simples. Alguém decide, a transição acontece, o comunicado é feito. O difícil mesmo é reconstruir o que ficou para trás: a confiança quebrada, a cultura corroída, as pessoas que aprenderam a sobreviver em vez de contribuir.

Mesmo no exército, onde você esperaria que todos os líderes fossem autoritários por natureza da hierarquia, não foi assim. Tive líderes brilhantes, humanos, que sabiam exercer autoridade sem esmagar as pessoas. E tive líderes tóxicos, que confundiam respeito com medo e comando com controle. A diferença entre os dois não estava no posto, mas no caráter. E na capacidade de manter o diálogo aberto, mesmo em ambientes de hierarquia rígida.

Essa distinção é fundamental. Hierarquia não é o problema. Toda organização precisa de estrutura, de clareza de papéis, de alguém que tome a decisão final quando necessário. O problema é o autoritarismo. Autoritarismo é quando o líder centraliza tudo, não tolera discordância, pune quem questiona e transforma a Equipe em executores silenciosos de suas ordens.

Lideranças que impõem raramente percebem o momento exato em que deixam de liderar. No início, o controle parece eficiência. A centralização parece agilidade. A ausência de debate parece ordem. Mas, com o tempo, o que se perde é o mais valioso ativo de qualquer sociedade ou organização: a confiança.

O que aconteceu na Venezuela em escala nacional acontece, em menor proporção, dentro de empresas todos os dias. Líderes que acreditam que liderar é apenas sobre imposição constroem caminhos sem diálogo e acabam criando organizações frágeis, dependentes e emocionalmente exaustas. A equipe até executa por um tempo, mas deixa de acreditar, de propor, de se comprometer. E aí aparecem todos os problemas que já conhecemos muito bem: turnover alto, absenteísmo, metas não batidas, perda de talentos-chave.

Reconstruir uma cultura após a saída de um líder tóxico não é questão de fazer um discurso bonito ou mudar o organograma. É um trabalho lento, delicado, de reconquistar a confiança de pessoas que aprenderam a não confiar. É ensinar um time a pensar de novo, a se posicionar, a assumir responsabilidade. E isso leva tempo.

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