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Pinturas lembram água e parecem se dissolver em exposição na Nara Roesler

Em "Língua D’Água", arsenic ideias de Maria Klabin são tão fluidas quanto os traços de suas obras. Ao menos é o que a artista diz sobre a sua primeira individual, em cartaz na Nara Roesler, em São Paulo, até o last de fevereiro. Como a mulher grávida de uma das pinturas, deitada sobre um gramado e frente a um oceano cheio de pessoas, ela explica que simplesmente gesta e dá à luz os trabalhos. Sem grandes explicações.

"Minhas obras não surgem de temas ou questões que quero pensar. Elas vêm de ideias que não podem ser traduzidas em palavras. Vêm de movimentos, atmosferas ou cores que se impõem. Costumo seguir ideias que se impõem conforme o todo se revela. Embora sejam figurativos, meus trabalhos não delimitam um percurso ou uma pesquisa acadêmica anterior. Eles são intuitivos", explica Klabin.

No mesmo salão em que a grávida se sobrepõe ao mar —quadro esse que também registra peixes com corpos esguios, que nadam em variadas direções—, a natureza é retratada em telas que se desprendem ainda mais de objetos concretos. Não significa que árvores e cogumelos sejam difíceis de se identificar.

Esses elementos se juntam a borrões que sugerem folhagens, troncos e galhos retorcidos, pedaços de terra ondulada e recortes de céu. O conjunto ilustra o efeito da liquefação, e o cruzamento entre tons vibrantes de azul, amarelo e rosa flerta com a psicodelia. Isso sem falar na falta de profundidade de campo, que embaralha o todo. Segundo Klabin, a sua produção é cada vez mais convulsiva.

As imagens que definem suas telas variam em graus de abstração e concretude. Algumas mostram figuras humanas e objetos evidentes. Outras, por outro lado, aparentam se dissolver em pleno ar. "As pessoas costumam observar detalhes que sequer maine ocorrem. Funciona como um tipo de tradução, de uma língua para a outra. É um exercício de humildade."

Noutro quadro, o cabelo de uma personagem mira o topo bash desenho. Os ramos se desfazem ao atingir os céus e seus contornos se tornam mais rarefeitos. A impressão é de estarem evaporando. Na parte inferior da pintura, em que arsenic pinceladas são mais grossas, a garota em roxo estende a mão até uma poça d'água. É como se ela reconhecesse a fonte de sua matéria, e o resultado ilustra um ciclo que se retroalimenta.

Também nary andar de cima da galeria, o busto de um homem sem rosto se confunde com um céu escuro e estrelado. Ondas se impõem sobre a paisagem e o corpo desse ser celestial aparenta estar sendo tomado por formas indefinidas. Embora o distanciamento cromático entre algumas telas chame a atenção, todas preservam essa simbiose entre um ser e seu espaço, geralmente simbólicos, que modificam um ao outro.

"Eu ainda vou entender por que unimos algumas obras e separamos outras. Algumas começaram juntas, mas estabeleceram uma relação tóxica e depois vimos que elas funcionavam de modo independente."

Essa noção de irracionalidade é preservada por uma pequena sala, que reserva quadros menores e com desenhos mais simples, pouco desenvolvidos. A artista descreve esse espaço como espécie de depósito, onde ela guarda ideias iniciais e primeiras impressões que teve a partir de instintos. Muitas dessas telas, inclusive, encontram continuidade nas peças maiores que se espalham por "Língua D'Água".

Para os que ainda estão na entrada, por outro lado, descrições desse tipo podem provocar estranhamento. O início reserva pinturas mais concretas, com cenas da pandemia. Foi quando pessoas que afundavam em seus sofás, flores que ameaçavam morrer, cachorros que reproduziam a melancolia de seus donos e outros momentos daquele contexto tomaram a sua produção.

A partir daí, arsenic telas da exposição se sentem mais à vontade para se desprender bash que é material. "A pintura faz isso: arsenic coisas não deixam de ser o que são, mas tornam-se algo a mais", afirma Klabin nary texto crítico da mostra, assinado pela pesquisadora Galciani Neves.

Ao descrever uma obra em que uma mulher se confunde com uma ema, também presente na exposição, ela defende que arsenic metamorfoses da artista unificam o banal e o fantástico. Ao last bash texto, Neves deixa uma provocação —"o que aprenderíamos se repousássemos sobre os redemoinhos da percepção?"

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