💸 Mas, afinal, quanto custaria comprar o país?
Há mais de 80 anos, a própria Groenlândia recusou uma primeira proposta dos americanos, no valor de US$ 100 milhões. O governo do território e sua população continuam a ressaltar que o país não está à venda.

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O montante sobre a mesa hoje atingiria facilmente a casa das dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, dada a valorização estimada dos recursos minerais estocados nos seus subsolos.
A emissora NBC News, citando especialistas e ex-membros do governo federal americano, disse a cifra de US$ 700 bilhões (R$ 3,7 trilhões), sem especificar a metodologia utilizada. No New York Times, um ex-economista do Banco Central americano (Fed), considerou os valores já pagos pelo país para a aquisição de outros territórios e cruzou com os dados de inflação e crescimento econômico dos Estados Unidos e da Dinamarca. Conforme David Baker, a nova proposta situaria entre US$ 12 bilhões e US$ 77 bilhões.
Vista de Nuuk, capital da Groenlândia, em 9 de fevereiro de 2025 — Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters
Mas outro cálculo bem mais modesto também estaria sendo considerado: oferecer dinheiro diretamente para os 57 mil habitantes da ilha, em troca de apoio político para a ideia da separação da Dinamarca e adesão aos Estados Unidos. Nesta hipótese, o valor dos recursos naturais da ilha tende a ser minimizado.
De olho nas terras raras e minérios A Groenlândia abriga algumas das maiores reservas mundiais de terras raras e minerais críticos, essenciais para o setor da tecnologia. Para além das suas fronteiras, o subsolo do Ártico ainda concentra 30% das reservas de gás natural do planeta e 13% das de petróleo.
A base aérea de Pituffik é a única instalação militar dos EUA na Groenlândia. — Foto: Jim Watson/AFP
A ambição americana de acessar esses recursos sequer é disfarçada: o embaixador nomeado pelos Estados Unidos na Dinamarca é ninguém menos do que Ken Howery, bilionário que fez fortuna na Silicon Valley. Entretanto, a exemplo da Venezuela e seu petróleo, os recursos naturais da Groenlândia são de difícil acesso: 80% do seu território é recoberto por uma espessa camada de gelo, necessitando investimentos colossais que levantam dúvidas sobre a viabilidade financeira da sua eventual exploração. Quantificar o valor real destes recursos é um cálculo complexo e, ainda assim, inexato. Não à toa, existem apenas duas minas em atividade na Groenlândia atualmente.
China e 'freedom city' Neste aspecto, uma grande preocupação americana é conter a expansão da concorrência chinesa na região, salienta Mikaa Blugeon-Mered, autor de «Alors tu veux acheter le Groenland...” ("Então você quer comprar a Groenlândia?”, em tradução livre)
“Quem está lá querendo comprar hidrocarbonetos e minerais do Ártico? Hoje, a principal compradora é a China. Ela tem um papel fundamental, porque tem tentado estabelecer posições estratégicas em toda esta região do Ártico, solicitando licenças, tentando comprar minas e assim por diante”, complementa o pesquisador. “Nos últimos 15 anos, eles têm tentado internalizar essa cadeia de valor, controlá-la desde a mina até o seu uso final, particularmente no que diz respeito aos elementos de terras raras, nos quais a China tem uma presença significativa na Groenlândia. Hoje, é precisamente isso que os Estados Unidos estão tentando neutralizar e se apropriar”, afirma.
Outro aspecto que entra na conta dos americanos é o potencial da ilha como uma "freedom city". O conceito, elaborado pela ala libertária das tech e aliada de Trump, imagina paraísos fiscais com regulação mínima, ideais para se tornarem laboratórios da inovação em inteligência artificial, veículos autônomos, lançamentos espaciais e micro reatores nucleares.
Além de embaixador na Dinamarca, Ken Howery é cofundador de uma poderosa empresa de venture-capital ao lado de Peter Thiel, defensor da ampla desregulação do setor de tecnologias e um dos financiadores de projetos do gênero. Ambos são amigos de Elon Musk e Thiel, grande doador das campanhas de Trump, foi um dos responsáveis pela ascensão política do vice-presidente americano, J.D. Vance.

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1 mês atrás
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