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Quanto rende aplicar R$ 1 milhão em 2026 com diferentes riscos?

Nessa simulação, estou considerando uma queda da taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 15% ao ano para 12,25% em dezembro.

Já em um CDB com prazo de um ano e rentabilidade de 105% do CDI, o retorno líquido, no mesmo cenário, tende a ficar em torno de R$ 123 mil, ou seja, R$ 11 mil a mais que o do Tesouro.

Se considerarmos uma inflação de 4,05% em 2026, que é a projeção de analistas consultados pelo Banco Central, o retorno real para uma aplicação de R$ 1 milhão ficaria em R$ 69 mil no Tesouro Selic e em R$ 79 mil no CDB.

Risco baixo "turbinado"

Outros títulos do Tesouro Direto, também de baixo risco, às vezes são turbinados pelas circunstâncias e acabam dando um retorno bem mais alto.

Isso acontece, às vezes, com os títulos dos tipos Tesouro IPCA e Tesouro Prefixado. No ano passado, por exemplo, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2031 gerou um retorno líquido de 20,1% para quem investiu no início do ano e resgatou no final. No caso de um aporte de R$ 1 milhão, o ganho ficaria em R$ 201 mil.

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Para ocorrer algo semelhante esse ano, é preciso que a expectativa dos investidores para a inflação caia. Hoje, a previsão é de que ela fique em 4,05% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% a partir de 2028, de acordo com levantamento do Banco Central.

Vale dizer que, da mesma forma como esse tipo de título pode gerar um retorno acima do esperado, também pode ficar abaixo do previsto ou até mesmo dar prejuízo.

No entanto, essas variações inusitadas para cima ou para baixo só ocorrem se o investidor vende o título antes do prazo. Se você segurar o papel até a data de vencimento, receberá exatamente o que está previsto.

Risco médio

Em fundos de investimento imobiliário (FIIs), o retorno de uma aplicação de R$ 1 milhão tende a ficar em torno de R$ 93 mil ao longo do ano, se esses ativos continuarem remunerando os cotistas no mesmo ritmo de 2025.

Para chegar a esse número, calculei a mediana do retorno em dividendos de 19 FIIs de tijolo que estão entre os mais negociados do país.

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Os chamados "fundos de tijolo" são aqueles que possuem imóveis físicos na carteira. Quem aplica nesses papéis se torna dono de uma fração de prédios, como galpões, shoppings ou edifícios de escritório. Quando essas propriedades estão alugadas, o investidor recebe uma parte do dinheiro gerado pela locação.

Devo alertar que fundos imobiliários são investimentos de renda variável. Não há nenhuma garantia de que eles continuarão remunerando os cotistas no mesmo ritmo do ano passado, assim como uma casa alugada não tem garantia de que continuará gerando sempre o mesmo valor. Pode haver uma queda (por vacância ou inadimplência, por exemplo) ou uma alta (na renovação de contrato ou troca de inquilino, por exemplo).

Risco alto

Em ações de empresas que pagam dividendos, o retorno do investimento varia muito. Mas podemos ter uma ideia aproximada se pegarmos como exemplo concessionárias de serviços de utilidade pública, como energia elétrica, saneamento e rodovias.

Analisando 22 empresas entre as mais negociadas do setor de utilidade pública, verifiquei que o retorno em dividendos está em 5,59%. Com essa rentabilidade, um investimento de R$ 1 milhão daria um retorno de R$ 55,9 mil ao longo de 2026.

A mesma observação que fiz sobre os FIIs vale para ações: esse retorno só existirá se as empresas continuarem pagando dividendos no mesmo ritmo de 2026, mas não há qualquer garantia de que o farão. Os dados servem apenas para dar uma ideia de quanto se pode ganhar.

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Algumas companhias estão com um retorno muito maior do que esse, como a Cemig, com 15,06%, e a Axia (antiga Eletrobrás), com 8,85%. Outras estão pagando bem menos, como a Sabesp (4,79%) e a Neoenergia (4,31%).

Talvez você se pergunte: por que, então, tem gente que investe com objetivo de dividendos, se o Tesouro Direto é mais seguro e rende mais?

Porque quem investe em ações tem a expectativa de que os dividendos aumentem a longo prazo. A ideia é que, se a empresa crescer, daqui a cinco ou dez anos, o retorno está muito maior que o de qualquer aplicação de baixo risco. Mas, repito, não há qualquer garantia de que isso ocorrerá, há apenas a expectativa.

Alguma dúvida?

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Reportagem

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