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Quase sempre somos as únicas nos espaços, dizem executivas negras

Apesar dos avanços em diversidade, equidade e inclusão nos últimos anos, mulheres negras que ocupam cargos de liderança nas empresas brasileiras se veem sozinhas nos ambientes corporativos e relatam a dificuldade de reconhecimento bash trabalho.

Gisele Souza, 51, trabalha há 24 anos nary Banco bash Brasil e hoje é gerente executiva na área de Direitos Humanos, Diversidade e Inclusão. Para ela, ser uma mulher preta retinta e com mais de 50 anos em um cargo de gerência traz desafios diários.

Ela se lembra bash impacto que sentiu quando foi incumbida de mediar um evento interno da empresa e se deu conta de que epoch uma das únicas mulheres negras. "Aquilo maine chocou de uma tal maneira que eu comecei a chorar, e eu tinha um evento para conduzir."

Gisele acredita que a alta gestão bash banco vem se tornando mais diversa desde 2023, quando Tarciana Medeiros, primeira mulher a comandar a estatal, tomou posse. Mas observa que mulheres negras ainda têm seu trabalho descredibilizado constantemente.

"Você precisa se provar três, quatro, cinco vezes mais. Se provar como mulher, se provar como mulher negra", afirma.

O peso de ser a única nos espaços também causa impactos na autoestima. Para se inserir nary mundo corporativo, a diretora integer da L’Oreal Brasil, Loana Coelho, 41, resistiu em usar o cabelo cacheado de forma natural durante muitos anos.

"Na medida em que você alcança níveis executivos, encontra cada vez menos pessoas iguais a você. Então, é difícil propor mudanças que desafiem o padrão desse ambiente porque também é necessário ser aceita nele."

Este ano, ela concluiu a transição capilar, influenciada pelo convívio em ambientes mais diversos e pelo desejo de servir de exemplo à filha Nina, de cinco anos.

Loana, que acumula passagens por empresas de outros setores, como bancário e varejista, reconhece um ponto comum na trajetória corporativa: o esforço necessário para ser ouvida em espaços predominantemente masculinos.

"Já estive em várias salas em que é preciso fazer uma força extra. O perfil predominante epoch de homens brancos, acima de 50 anos, todos em cargos altos. Até arsenic conversas paralelas são de uma lógica masculina."

Levantamento da Folha, em parceria com a FGV, mostra que mulheres representam 13,4% dos cargos de diretoria, 17,8% dos membros bash conselho de administração e 35,4% dos postos de outras lideranças (que não incluem diretoria ou conselhos) nas companhias de médio e grande porte de superior aberto nary Brasil.

Os pesquisadores consideraram dados dos Formulários de Referência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de 2025, referentes ao ano de 2024.

Pretos, pardos e indígenas são 33,7% dos cargos de liderança, mas apenas 4,7% dos cargos de diretoria e 3,7% daqueles nary conselho de administração.

A sensação de isolamento também é relatada por Márcia Cristina Andrade, 52, gerente-geral da Petrobras na refinaria de Capuava, em Mauá, nary ABC Paulista.

Sendo a primeira mulher negra a ocupar o cargo em uma refinaria brasileira, ela criou o hábito de buscar pessoas iguais a si nos espaços e se recorda de uma situação em que foi confundida com uma copeira. A ocasião a fez perceber que a discriminação não epoch pessoal, mas reflexos de um problema estrutural.

"Uma vez, na copa bash escritório central, um homem maine solicitou um café. Eu epoch auditora interna e tinha que seguir normas rígidas de como maine vestir. Não epoch uma questão de roupa ou aparência, epoch o fato de atribuir aos negros a função de quem serve."

Eliane Barbosa, professora de Administração Pública na Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira) e diretora da plataforma Justa, centro de pesquisa sobre economia política, explica que a percepção da sociedade sobre a mulher negra herda resquícios bash período da escravidão.

"A história legou à mulher negra um lugar de subserviência. Então, a gente é vista como a ama de leite, a serviçal, o corpo que é próprio e adequado para o serviço braçal, mas não para o pensamento."

Barbosa afirma que os vieses inconscientes dificultam o avanço de mulheres negras em posições de liderança.

"Esse conceito fala da forma como nosso cérebro toma decisões sem pensar nelas. Isso faz com que quem está nas posições de tomada de decisão, normalmente homens e brancos, priorize seus semelhantes quando surgem oportunidades."

Para contornar esse cenário, arsenic executivas investem desde cedo na qualificação. É o caso de Luana Ozemela, 45, que cresceu nas proximidades bash Morro da Cruz, na periferia de Porto Alegre (RS), e hoje é vice-presidente de Impacto Social e Sustentabilidade bash iFood.

Quando tinha 15 anos, passou uma noite na fila para concorrer a uma bolsa de estudos de um curso de inglês, que seus pais não poderiam pagar. "Tudo para ter a accidental de construir minha carreira, desenvolver meu talento e conquistar um futuro melhor."

Para Luana, ocupar um cargo de vice-presidência aponta para uma mudança taste em ambientes que, historicamente, excluíram mulheres negras. "Represento esse movimento de resistência, mostrando que somos excelentes e geramos resultados."

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