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Reflexões sobre o juro alto no Brasil

O próprio Banco Central calcula a taxa neutra. O patamar considerado é de 5% ao ano em termos reais. Outros economistas divergem e estimam valores superiores, cabe constatar. Como se vê, os 10,5% estão bastante acima desse patamar dito neutro, por não frear ou estimular a economia. Pelos dados da Anbima para a ETTJ (Estrutura a Termo da Taxa de Juros), os juros reais precificados para daqui a um ano, um ano e meio e dois anos estão, respectivamente, em: 9,4%, 8,7% e 8,4% ao ano.

A saber, a ETTJ permite avaliar os juros efetivamente praticados pelo mercado nos títulos públicos com vencimentos diferentes. Dito de outra forma, é como se pudéssemos avaliar a expectativa dos agentes econômicos por meio da remuneração de cada um desses papéis. Há, ainda, prêmios embutidos relativos ao risco vislumbrado para cada prazo.

Obviamente, esses cenários implícitos nas decisões dos compradores de títulos se movimentam de acordo com a perspectiva para a inflação e a Selic. Por exemplo, se acreditam que o Banco Central promoverá uma redução dos juros, ao longo de determinado período, as taxas praticadas tenderão a ser menores, sob condições de inflação controlada.

As três taxas que selecionei acima, para um prazo de até dois anos, evidenciam patamares bastante superiores à taxa neutra. A aposta, portanto, é que a política monetária seguirá contracionista, ao menos na fotografia deste momento. Essa dinâmica faz sentido, do ponto de vista do controle da inflação?

As projeções do Banco Central para o chamado horizonte relevante, o segundo trimestre de 2027, indicam variação de 3,3% para o IPCA. A meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3%, com bandas inferior e superior de 1,5 ponto percentual. Essa informação revela que, pelos modelos da própria autoridade monetária, a inflação convergirá a um patamar muito próximo do centro da meta de inflação.

Obviamente, projeções contemplam elevada incerteza, sobretudo quando se trata de inflação, uma variável afetada por preços administrados, pela taxa de câmbio, por choques de oferta, pelo clima etc. Dada essa inescapável realidade da falibilidade de instrumentos e modelos, a inflação esperada para o horizonte relevante está na meta. Aliás, meta que representa um compromisso fixado pelo CMN extremamente restritivo.

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