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Salvo por 'horizonte relevante', BC cortou juros apesar de inflação pior

Por outro lado, Copom destacou ganhos promovidos pela política monetária. Os juros elevados por muito tempo tem permitido a desaceleração mais forte da atividade, desaceleração global, redução nos preços das commodities.

Embora o BC não tenha dito explicitamente que o balanço de riscos está assimétrico, ele elencou quatro riscos de alta, citando a desancoragem prolongada das expectativas, a inflação de serviços, o câmbio, além das políticas de estímulo à demanda interna, mas também listou três riscos de baixa, com a desaceleração mais forte da atividade, a desaceleração global, e a redução nos preços das commodities. Ou seja, embora o BC não tenha explicitado, ele parece assumir um balanço de riscos com assimetria de alta. Helena Veronese, economista-chefe da B. Side Investimentos

Banco Central ganhou mais tempo para controlar a inflação. Além da desaceleração da economia, analistas de mercado apontam um fator técnico que ajudou o Banco Central a reduzir os juros mais uma vez, neste mês: o chamado horizonte relevante da política monetária, que passou do quarto trimeste de 2027 para o primeiro trimestre de 2028.

Banco Central reconheceu pontos de piora, incluindo o setor externo e piora da inflação corrente e de suas projeções. Apesar desses pontos de piora, o Banco Central alonga o horizonte relevante, para 2028. O que permitiu esse corte de 0,25 ponto percentual. Isso mostra que o BC tenha uma preferência por continuar o ciclo de juros. Carlos Lopes, economista do Banco BV

O comunicado reconheceu a aceleração da atividade no primeiro trimestre e sinalizou que o cenário inflacionário se deteriorou desde a última reunião. Para acomodar um novo corte de juros, o Comitê alongou o horizonte relevante de política monetária, preservando espaço técnico para um ajuste adicional. O balanço de riscos foi atualizado com a adição explícita dos estímulos à demanda agregada como fator de risco altista, mas sem declarar assimetria formal. Bruno Fratelli, da Journey Capital

Copom até revisou revisa para cima projeções de inflação, mas não para 2028. No novo cenário, o Banco Central projeta uma inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), de 5,2%, ante 4,6% na reunião de abril. O novo patamar se distancia ainda mais da taxa de 4,5%, que é o limite de tolerância da meta perseguida pelo órgão. O centro da meta de inflação é de 3%, com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima ou para baixo. Para o quarto trimestre de 2027, o Copom também elevou a estimativa para o IPCA, de 3,5% para 3,7%.

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