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Solidão é o novo cigarro? Porque precisamos falar sobre saúde social

Outros dados recentes reforçam o cenário: 8% da população mundial não tem um amigo próximo.
Já 20% dos americanos relatam ter passado semanas sem encontrar as pessoas que amam.
E agora uma informação digna de um filme de Spike Jonze : 40% da Geração Z diz ter feito amizade com um assistente de IA.

Quer mais dados?
Um estudo recente do MIT Media Lab com a OpenAI mostrou que o uso intensivo de chatbots estava associado a mais solidão, mais dependência emocional e menos socialização com humanos reais.
Ou seja: a IA pode ser uma companhia, mas não substitui a conexão de verdade.

Killam costuma bater na tecla que existem quatro áreas principais para fortalecer a saúde social: escolas, trabalho, tecnologia e iniciativas locais.
Para ela, habilidades de conexão deveriam ser ensinadas desde cedo, da mesma forma que educação física.
Aprender a fazer amigos, a pedir ajuda, a pertencer a uma comunidade?
Tudo isso deveria ser tão ensinável quanto qualquer disciplina do currículo.

Durante um TED Talk, Killam citou um estudo em que ligações de apenas 10 minutos, feitas algumas vezes por semana, deixavam as pessoas menos solitárias após dois meses.
Mandar uma mensagem quando alguém te vem à cabeça.
Pedir uma carona ao aeroporto em vez de chamar um Uber.
Eu sei que isso soa como auto-ajuda barata.

Mas a pesquisadora defende que pedir ajuda é um ato de conexão.
E que a nossa resistência a isso (o medo de "ser um peso") é exatamente o que nos isola mais.
Quando pedimos ajuda, damos ao outro a chance de se sentir importante.
E nos sentimos mais próximos depois.

A cientista social, que ironicamente se define como introvertida, criou até um modelo de treinamento para ajudar nas reconexões: a regra 5-3-1.

  • Passar um tempo com cinco pessoas diferentes por semana: vale colega de trabalho, amigo, vizinho, companheiro de hobby?
  • Cultivar pelo menos três relacionamentos próximos: sabe aquelas pessoas que são o seu contato de emergência?
  • Dedicar uma hora por dia, no total, de interação social significativa.

Curiosamente, muito do que Kasley Killam defende hoje dialoga com uma teoria de décadas atrás.
Ray Oldenburg (1932-2022), sociólogo urbano americano, ficou famoso no final dos anos 1980 pela Teoria do Terceiro Espaço: os espaços de socialização que ficam fora de casa (o primeiro lugar) e do trabalho (o segundo lugar).

São o bar do bairro, o café da esquina, o parque, a barbearia, a biblioteca, a praça -- acho que o médico alemão conhecia o conceito!
Lugares que existem a partir da convivência e que, segundo Oldenburg, são essenciais para o fortalecimento dos laços sociais e do bem-estar coletivo.
Lugares onde as conversas surgem do nada, onde você conhece pessoas que não te "agregam" nada de útil.
O sociólogo os batizou de "lugares muito bons".

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