O que aconteceu?
Os preços dos títulos do Tesouro Direto vêm despencando desde o início da guerra no Irã. Entre 27 de fevereiro, antes de começar o conflito armado, e a última sexta-feira (13), o título Tesouro Renda Aposentadoria Extra 2065 caiu 10,5%.
Na segunda e na terça-feira, o governo interveio no mercado de juros futuros, por meio de recompra de títulos no valor total de R$ 37 bilhões, aproximadamente, o que afeta os preços e taxas dos títulos disponíveis no sistema do Tesouro Direto.
Na terça, o papel mencionado acima reduziu suas perdas para -5,5%, considerando o período desde 27 de fevereiro.
Os demais títulos dessa categoria estavam acumulando quedas entre -4,1% e -9,3% do dia 27 de fevereiro até a última sexta, e reduziram as perdas para a faixa entre -2,6% e -4,9% na terça-feira.
Na categoria Tesouro IPCA+, as perdas estavam entre -2,1% e -3,99% e, depois da intervenção, foram reduzidas para entre -2,4% e -2,5%.
Na linha Tesouro Prefixado, as variações estavam entre -0,1% e -3,6% e depois passaram a ficar entre 0% e -2,7%, sempre nos mesmos períodos analisados.
Por que os preços variam?
É normal os preços dos títulos do Tesouro variarem todos os dias, mas em menor intensidade.
A atual queda ocorreu pelo receio de aumento da inflação mundial devido à alta do preço do petróleo causado pela guerra no Irã. O Estreito de Hormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo do mundo, está fechado por causa do conflito.
Como a expectativa sobre a inflação mudou, mudou também a expectativa sobre a taxa básica de juros, a Selic, já que esta é usada para controlar a inflação.
A expectativa, agora, é de que os cortes da Selic nos próximos meses sejam menores do que se imaginava. Ou seja, de que a Selic, a médio e longo prazo, fique mais alta do que se esperava.
Com a expectativa de Selic mais alta, investidores vendem seus títulos que pagavam juros menores, com o objetivo de, agora ou no futuro, comprar papéis que paguem mais. O aumento repentino das vendas gera redução do preço dos títulos.
Desta vez, houve um agravante
No caso específico dos últimos dias, a oscilação dos preços teve um agravante.
Muitos investidores do chamado mercado futuro apostavam em juros menores. Se as expectativas sobre os juros aumentassem, eles perderiam dinheiro. E se aumentassem muito, seria aplicado o mecanismo de "stop loss", em que as posições são vendidas automaticamente.
O problema é que, se existe um volume muito grande executando stop loss, ou seja, vendendo, isso força os preços dos títulos a caírem ainda mais (mais gente querendo vender e menos querendo comprar).
Assim, uma avalanche de vendas causada por operações automáticas poderia gerar ainda mais ativações de stop loss, provocando cada vez mais vendas, em um círculo vicioso.
Foi para interromper essa espiral negativa que distorceria ainda mais para baixo os preços dos títulos, que o Tesouro Nacional interveio. Até o momento, foi bem-sucedido.
O que fazer?
Se você investiu no Tesouro de forma responsável, ou seja, decidido a não vender os títulos antes do vencimento, nada muda para você. Basta manter o dinheiro aplicado até o fim do prazo, e você receberá exatamente a rentabilidade que era esperada no momento da aplicação.
Já se você investiu sem saber que existia esse risco, terá que tomar a decisão entre ficar esperando até o vencimento, para não perder dinheiro, ou vender os títulos e assumir o prejuízo.
Existe, ainda, uma terceira opção: esperar para ver se os papéis se recuperam mais. Isso, no entanto, é uma atitude de risco, pois não há como saber se a situação vai melhorar ou piorar.
Para quem sabe que não vai poder aguardar até o vencimento, a opção mais segura é também a mais dolorosa: vender os títulos agora, assumir o prejuízo, e aplicar em papéis com prazos que possam ser cumpridos.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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3 dias atrás
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