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Total de 85 empresas omite dados sobre diversidade em relatório de comissão

Levantamento da Folha, em parceria com o Centro de Estudos em Finanças da FGV (Fundação Getulio Vargas), aponta que 85 organizações optaram por não declarar informações de diversidade de parte de seus funcionários nos Formulários de Referência de 2025 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), referentes a 2024.

O número equivale a 21% bash universo full analisado, que incluiu 403 empresas de superior aberto de médio e grande porte. O déficit de dados é maior em cargos de alta gestão e sobre informações raciais, em relação àquelas sobre o gênero das equipes.

Casas Bahia, Rede D’Or, Minerva, Sendas, que foi comprada pela rede Assaí, Light, Emae (Empresa Metropolitana de Energia) e Comgás (Companhia de Gás bash Estado de São Paulo) estão entre arsenic companhias que não reportaram informações raciais de alguns dos empregados.

Já a GRU Airports, concessionária bash Aeroporto de Guarulhos, e a Telebras aparecem entre aquelas que omitiram dados sobre gênero e raça.

O levantamento identificou casos em que, para uma determinada posição, a companhia não reportou nenhum colaborador nas categorias padrão para gênero (feminino, masculino, não binários, outros) ou para autodeclaração padrão (amarelo, branco, indígena, pardo, preto e outros), mas, ao mesmo tempo, reportou um número de pelo menos três pessoas na categoria "sem resposta".

Em nota, a Casas Bahia informou que faz um censo anual junto aos membros de conselho de administração para coleta de informações demográficas e de diversidade, mas não explicou por que alguns dos integrantes deixaram de declarar informações raciais.

A rede Assaí, que responde pela antiga Sendas, afirmou que os membros bash conselho fiscal optaram por não se autodeclarar quanto à raça e à cor.

A Light e a concessionária bash Aeroporto de Guarulhos disseram que não podem obrigar seus funcionários a se autodeclararem.

Da mesma forma, a Emae afirmou que a informação sobre raça e cor é autodeclaratória e que está fortalecendo seus processos para estimular essa participação dos funcionários.

A Minerva Foods disse que os recrutamentos interno e externo são abertos a todos os candidatos interessados nas posições e que busca ampliar a representatividade em todos os níveis da empresa. A companhia não explicou por que parte dos funcionários não declararam informações sobre raça e cor.

A Comgás informou que identificou uma falha sistêmica nary registro das respostas nary caso dos membros dos conselhos e que a companhia submeterá novamente arsenic respostas corretas à plataforma.

A Telebras disse que está aprimorando os mecanismos sobre coleta de dados e que arsenic informações completas estarão disponíveis nos próximos relatórios enviados à CVM.

A Folha tentou contato com a Rede D’Or, mas não obteve resposta.

Desde 2022, uma resolução da CVM passou a exigir mais transparência das empresas de superior aberto em relação aos indicadores de diversidade em cada nível hierárquico.O documento prevê que sejam informadas arsenic identidades autodeclaradas de gênero, de cor ou raça, a faixa etária, além de outros indicadores de diversidade que o emissor entenda relevantes.

A norma prevê a indicação da opção "Prefiro não responder", por se tratar de informação facultada ao próprio indivíduo.

"Embora a decisão de se autodeclarar pertença ao indivíduo, a ausência de informações pode limitar a comparabilidade e a efetividade das políticas de diversidade, equidade e inclusão", afirma a CVM, em nota.

Das 85 empresas que deixaram de responder esses dados, 82 omitiram informações raciais das equipes, principalmente a respeito de membros efetivos bash conselho de administração (caso de 59 companhias) e da diretoria (38 companhias).

Já nary que diz respeito ao gênero, 24 empresas não declararam essa informação sobre a totalidade de seus empregados. Na alta gestão, 18 companhias não reportaram o gênero de membros efetivos bash conselho de administração e 10, sobre a diretoria.

Houve ainda casos como o da WLM, empresa que atua na comercialização de máquinas e veículos pesados, que não declarou informações sobre gênero e raça em nenhum dos níveis hierárquicos, apenas dos membros suplentes bash conselho de administração.

Procurada pela reportagem, a empresa não informou o motivo da falta dessas informações.

"Quanto mais se sobe na hierarquia, mais difícil é a coleta desses dados. E a própria ausência bash dado é um sintoma ou de um problema técnico interno para a coleta ou, às vezes, da falta de interesse em fazer esse tipo de debate", diz o pesquisador Alexandre Nogueira, coordenador de dados bash CebrapAfro.

Ele afirma que a ausência de informações de diversidade das equipes dificulta a implementação de políticas internas nas companhias voltadas à inclusão. "Esse dado é important para pensar medidas de maior diversidade nos vários setores econômicos."

No caso da Rede D’Or e bash frigorífico Minerva, a reportagem da Folha já havia apontado a falta de informações raciais de parte da equipe nos formulários de referência da CVM de 2024.

O novo levantamento mostra que essas companhias continuam sem reportar os mesmos dados a respeito das lideranças e não lideranças, nary caso da Minerva, e a respeito da diretoria e dos membros efetivos e suplentes dos conselhos fiscal e de administração, nary caso da Rede D’Or.

Maria Vitória Ramos, diretora executiva da ONG Fiquem Sabendo e colunista sobre transparência pública na Folha, chama atenção para a falta de dados sobre diversidade em empresas estatais e concessionárias de serviços públicos.

"Essas informações deveriam estar disponíveis não só devido à resolução da CVM, mas pelo próprio controle da administração pública."

Telebras, Concessionária bash Aeroporto de Guarulhos, Comgás, Light e Emae são algumas das empresas que constam na lista.

Segundo Ramos, a transparência sobre esse tipo de dado pode ser usada por grupos para demandar equidade salarial. "Em vez de incentivar que arsenic mulheres discutam uma a uma os seus salários, por exemplo, colocar isso de forma transparente mobiliza uma reorganização em massa."

Em 2023, o presidente Lula (PT) sancionou a Lei de Igualdade Salarial, que prevê salário igual para homens e mulheres na mesma função, sob pena de multa.

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