A tentativa trumpista de roubar a Groenlândia da Dinamarca prova que a direita, no fundo, sabe que o aquecimento global é real. Afinal, a ilha dinamarquesa só ganhou relevância política porque, graças ao aquecimento global, o oceano Ártico tornou-se muito mais navegável.
Em um artigo publicado na revista Nature Reviews Earth and Environment de março de 2024, os pesquisadores Alexandra Jahn, Marika M. Holland e Jennifer E. Kay mostraram que o aquecimento global criou uma possibilidade até outro dia impensável: um Ártico sem gelo durante boa parte do ano.
Suas estimativas indicam que, entre 2020 e 2030, já podem ocorrer setembros sem gelo no Ártico, algo que se torna bastante provável em 2050. Daí em diante o cenário depende cada vez mais de nossa capacidade de reduzir as emissões de carbono: com altas emissões, em 2100 pode haver um Ártico sem gelo entre maio e janeiro. Com emissões reduzidas, o período sem gelo cairia para agosto-outubro.
As consequências para o clima global são impensáveis, mas ninguém se importa com isso fora Marina Silva, Greta Thunberg e mais uma minoria ínfima de seres humanos que se recusa a cometer genocídio contra os próprios descendentes.
Como mostra a baixa eficiência eleitoral do ambientalismo, o ser humano médio aceita que seu neto definhe sob intenso sofrimento ainda na primeira infância, desde que o preço da gasolina não suba nesta semana.
Por isso, o derretimento do Ártico vem chamando atenção, sobretudo, pelas oportunidades econômicas e geopolíticas que descortina.
Um Ártico sem gelo é uma rota marítima muito mais rápida entre América do Norte, Europa e Ásia do que, por exemplo, o Canal de Suéz. É uma alteração importante da geografia econômica do mundo.
Ampliam-se, igualmente, as possibilidades de guerra naval no extremo norte. Sempre foi, em tese, possível que Estados Unidos e União Soviética se invadissem pelo Ártico. Mas a experiência alemã no inverno russo (por comparação, uma primavera amena) fez com que nenhum dos lados se animasse com a ideia.
Quando se leva isso em conta, fica claro que o plano trumpista de roubar o Canadá faz parte da mesma visão de roubar terra no norte porque a catástrofe ambiental deve promover a valorização imobiliária da região.
Além disso, os ricos de Silicon Valley vêm investindo na mineração da Groenlândia. Muitos deles acreditam que a Groenlândia pode ser um bom lugar para instalar utopias capitalistas independentes de qualquer regulação estatal. O bilionário trumpista Peter Thiel, por exemplo, acredita que experimentos como esses seriam uma boa alternativa agora que "a democracia não serve mais à liberdade", o que se deveria, em grande parte, ao direito das mulheres votarem.
Nesse cenário, a Groenlândia deixaria de pertencer à Dinamarca, um país com indicadores de bem-estar muito melhores do que os dos Estados Unidos, para se tornar uma mistura de Banco Master com a ilha do pedófilo Jeffrey Epstein.
O "experimento de desregulamentação" de Epstein, aliás, funcionava nas Ilhas Virgens Americanas, o último território que os Estados Unidos compraram da Dinamarca. Em algumas questões importantes, as mulheres não tinham direito ao voto.

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