A Uber enviou uma notificação extrajudicial ao ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, por ter dito que as empresas estão por trás de uma mobilização em redes sociais contra a regulação do trabalho por aplicativos.
A criação de regras para a atividade é uma das bandeiras do governo Lula, com Boulos à frente da mobilização pela aprovação de um projeto de lei no Congresso.
Na notificação, a Uber cita dois vídeos divulgados Boulos. Em um deles, de domingo (22), ele diz: "Aqui, eu tô falando iFood, Uber porque são as mais conhecidas (...) E aí você vê assim, esses caras, um monte de político dando as caras para defender o interesse dessas empresas contra o trabalhador. Pra mim, eu acho que pinga a letra, né? Quem tá ouvindo entendeu"
Outra menção é a uma entrevista dada por Boulos ao programa "Bom dia, ministro", do governo federal, em 17 de março, em que ele afirma:
"Ninguém me tira da cabeça que quem está espalhando essas mentiras na rede está a serviço das grandes plataformas. Está a serviço, não sei se recebendo dinheiro ou o quê em troca. Mas os políticos e os influenciadores que estão distribuindo isso, eles estão a serviço da Uber, do iFood, das grandes plataformas."
Na notificação, que antecede um possível processo judicial, a empresa diz que "possui políticas rigorosas de integridade e compliance, com tolerância zero em relação a práticas criminosas, como suborno e corrupção".
A plataforma acrescenta que suas regras proíbem "pagamento a agentes políticos para patrocinar seus interesses e qualquer publicidade e práticas enganosas ou injustas, o que inclui divulgação de desinformação".
A Uber diz ainda que as declarações de Boulos extrapolam a liberdade de expressão e pede que o ministro encaminhe informações que deem suporte às acusações feitas por ele.
Requer ainda que Boulos "se abstenha de proferir acusações inverídicas e sem respaldo probatório como as citadas".
Outro lado
Em nota ao Painel, o ministro diz que "a Uber, uma empresa norte-americana, não vai intimidar o governo do Brasil com ameaças judiciais vazias".
"Não sabemos se é pago, mas não há dúvida de que influenciadores e políticos estão fazendo o jogo das plataformas. Reproduzem de forma acrítica seus argumentos atacando as demandas dos motoristas e entregadores", declarou, via assessoria.

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