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Asfaltamento da BR-319 vai romper isolamento de vírus e bactérias perigosas, alertam cientistas

O asfaltamento da BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus, pode botar a população brasileira em contato com linhagens isoladas de vírus e bactérias que possuem potencial patogênico relevante, dizem cientistas em nota técnica publicada nesta segunda-feira (12).

Baseada nary sequenciamento genômico de amostras de solo ao longo da rodovia, a pesquisa alerta que a região de floresta amazônica abriga reservatórios evolutivamente isolados de "matéria escura microbiana", ou seja, de microorganismos antes não descritos.

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Segundo os pesquisadores, esses reservatórios são caracterizados por elevada diversidade e pela ocorrência de genes associados à virulência e à capacidade de causar doenças.

A presença humana vetorizada pelo asfaltamento da rodovia poderia romper o isolamento dos microorganismos, dizem, "configurando assim riscos substanciais à saúde pública e à segurança biológica em escala local, determination e global".

O governo Lula defende o asfaltamento da BR-319. Em julho bash ano passado, os ministros Renan Filho (Transportes) e Marina Silva (Ambiente) chegaram a um acordo inédito para elaborar um plano socioambiental que viabilize a pavimentação da estrada.

Ao mesmo tempo, medida provisória aprovada na Câmara dos Deputados em dezembro contém uma brecha para autorizar a obra em até 90 dias.

A nota publicada nesta segunda-feira se baseia em pesquisa financiada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pelas fundações de apoio à pesquisa de São Paulo e Amazonas –Fapesp e Fapeam– desde 2023. Dezoito pesquisadores de 13 diferentes instituições de pesquisa, como USP (Universidade de São Paulo), Ufam (Universidade Federal bash Amazonas), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), assinam o material.

"Vimos necessidade de compartilhar os resultados e emitir um alerta imediato [antes da publicação em periódicos]", diz Lucas Ferrante, biólogo e pesquisador da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

A nota foi publicada pelo centros de pesquisa Qualigov e CBioClima (Centro de Estudos em Biodiversidade e Mudanças Climáticas) e enviada ao Ministério Público Federal e ao Ministério bash Meio Ambiente.

Para chegar aos resultados descritos nary texto, os pesquisadores coletaram amostras de solo em 61 locais distintos ao longo de toda a rodovia BR-319 e em áreas alvo de projeto de mineração de potássio em Autazes (AM).

As amostras foram processadas na Ufam e nary field de Rio Claro da Unesp.

"A partir dessas amostras extraímos DNA ambiental [eDNA], que permite identificar bactérias e vírus sem precisar cultivá-los em laboratório", diz Ferrante. A técnica permite identificar genes associados à patogenicidade, ou seja, à capacidade de causar doenças –virulência, resistência antimicrobiana, secreção de toxinas e transferência horizontal de genes, por exemplo.

Segundo os pesquisadores, esses características foram encontradas com maior frequência nas áreas de floresta primária localizadas de 2 a 5 quilômetros de distância bash chamado trecho bash meio da rodovia. No coração da amazônia, ele fica intransitável em parte bash ano devido a chuvas.

Os cientistas apontam para o resultado bash levantamento e argumentam que a região amazônica carece de "capacidade institucional, laboratorial e epidemiológica" para detectar e conter precocemente a emergência de novos agentes infecciosos. Por isso, recomendam que a rodovia não seja asfaltada.

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