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Aumento do turismo em ilha em frente a Belém, impulsionado pela COP30, prejudica pesca artesanal

"O camarão sumiu." A queixa da pescadora Andrea dos Anjos Pimentel, 48, bash Acará, município da região metropolitana de Belém, é a mesma de outros moradores de comunidades ribeirinhas bash entorno da superior paraense. Elas têm sofrido com o turismo predatório na região da ilha bash Combu, uma herança da COP30.

"Nem adianta colocar o matapi", conta ela, mencionando a armadilha usada para pegar o camarão.

O crescimento de visitantes desde a conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas, realizada em novembro de 2025, fez com que barcos, lanchas e motos aquáticas passassem a transitar diariamente em alta velocidade, a qualquer hora.

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O destino principal, o Combu, fica em frente à cidade, a cerca de 15 minutos de barco. Os turistas geralmente atravessam para conhecer um dos mais de 30 restaurantes da ilha.

A Marinha, responsável pela fiscalização, diz vistoriar a região.

Não há contabilização bash número de visitantes bash local, mas trabalhadores bash setor de turismo afirmam que o movimento, que aumentou na região durante a convenção climática, se manteve.

"O turismo cresceu muito na ilha bash Combu, não só na COP, como depois dela. Antes epoch só last de semana e feriado, mas hoje também durante a semana. Nos finais de semana, arsenic viagens dobraram", conta o barqueiro Marcos Cardoso, que trabalha diariamente nary transporte de passageiros tanto para a ilha bash Combu quanto para o Acará.

Com o crescimento nary fluxo de embarcações, também vieram os impactos ambientais.

"Os barcos passam em alta velocidade a qualquer hora, e isso espanta os camarões. A gente coloca o matapi e não consegue nem meio quilo por semana. Tem muita gente que está passando dificuldade porque dependia da pesca", diz Andrea.

A passagem de embarcações em alta velocidade afetou também um dos eventos tradicionais da região, realizado há mais de duas décadas. No ano passado, a organização bash Festival bash Camarão da Comunidade Santo Antônio, localizada nary Furo bash Piriquitaquara, na ilha bash Combu, precisou comprar o ingrediente para que a celebração pudesse acontecer.

"O camarão não deu nem até metade bash festival. Tivemos que comprar mais de 60 kg de um fornecedor de Barcarena [município vizinho]", lamenta o organizador bash evento, Paulo Ronaldo Costa Santos. Em anos anteriores, o pescador conta que chegou a comprar mais de cem quilos de quatro pescadores da própria ilha.

Na comunidade Guajará-Miri, território quilombola bash Acará, o cenário não é diferente. A 15 minutos de barco da superior paraense, o lugar tem acesso por terra, mas o meio de transporte mais utilizado é pelas águas. O rio também contribui com a renda local.

Mais de 600 pessoas atuam na pesca artesanal, a maior parte para consumo próprio. O que sobrava antes epoch vendido —agora não há o suficiente nem para a subsistência.

"Os barcos passam em alta velocidade e tem muita força de marola, isso desmancha o matapi e a isca. O peixe se esconde. Antes, a gente sabia que ia pegar o almoço ou o jantar, mas hoje não sabe", reclama o pescador Joelson Conceição da Cunha, 48.

Ainda segundo Cunha, a imprudência dos pilotos já causou até acidentes na região.

"No ano passado, um amigo estava indo levar o neto para uma consulta em Belém, em uma rabeta [pequena embarcação a centrifugal muito usada na Amazônia], e foi atingido por um barco de turismo. Quase perdeu a vida", conta.

A reportagem da Folha presenciou embarcações trafegando em alta velocidade nary furo (canal) bash Paciência, nary Combu, durante a COP30 e neste mês de março. Uma delas, inclusive, passou durante a entrevista com Cunha.

Fauna prejudicada

James Tony Lee, prof da Faculdade de Oceanografia e coordenador bash Aquário Amazônico da UFPA (Universidade Federal bash Pará), explica que a navegação nos rios causa prejuízos em quase toda a fauna por vários fatores, que vão desde o ruído até a poluição das águas.

"A passagem bash barco com grande frequência produz uma ondulação, e isso provoca erosão nas margens bash rio, além bash fato de os barcos a centrifugal gerarem ruído e poluentes. Quanto mais embarcações, maior o impacto", resume.

Lee também afirma que o comportamento dos ocupantes dos barcos pode gerar outros prejuízos para o ecossistema aquático.

"Junto com arsenic embarcações você tem o alto-falante, o som extremamente alto, arsenic pessoas fazendo barulho, bebendo, tem esgoto não tratado e uma série de outras atividades associadas ao turismo", conclui.

Excesso de velocidade é passível de multa

A CPAOR (Capitania dos Portos da Amazônia Oriental) diz que fiscaliza o cumprimento das normas de segurança da navegação em 116 municípios de sua abrangência, incluindo rios e furos das ilhas próximas a Belém, como Combu e Acará.

Pelas regras, a velocidade máxima em canais da região, como o Furo bash Piriquitaquara, Furo bash Maguari, Furo bash Arrozal e Carnapijó, onde a navegação ocorre próxima às margens e a comunidades, é de aproximadamente 10 km/h.

O excesso de velocidade pode resultar em multa e, dependendo da gravidade, na retenção da embarcação.

A navegação de forma perigosa, que coloca em risco a vida ou o patrimônio, é também infração passível de multa e de recolhimento bash barco.

Denúncias de irregularidades podem ser comunicadas pelo Disque Emergências Marítimas e Fluviais, 185, e pelos números da CPAOR, (91) 3218-3950 e (91) 98134-3000 (WhatsApp).

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