A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas tem mais apoio no Brasil entre homens, evangélicos e eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, aponta a mais recente pesquisa Datafolha.
Realizado em 17 e 18 de junho, o levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios do país. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, mas varia dentro dos recortes populacionais. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-09956/2026.
A mudança na classificação foi determinada por Donald Trump no final de maio e passou a valer no início de junho a contragosto do governo Lula (PT). No dia seguinte, um comunicado do Palácio do Planalto disse que "a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada por traidores".
Segundo o Datafolha, a maioria dos brasileiros (83%) tomou conhecimento da medida e 59% concordam com o novo critério. Outros 33% discordam, 7% não sabem e 1% não tem opinião a respeito.
O público masculino tende a concordar mais com a mudança na classificação do que o feminino. Entre os homens, 53% concordam totalmente e 12%, parcialmente. Já entre as mulheres, os percentuais são de 38% e 16%, respectivamente.
Os homens dizem ter mais conhecimento sobre o tema do que as mulheres: 47% deles se dizem bem informados a respeito do assunto contra 25% delas. No recorte por gênero, a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
A legislação dos EUA de combate ao terrorismo permite que o país investigue, sancione e eventualmente processe pessoas físicas ou jurídicas mesmo que estejam fora de seu território. O principal efeito prático se dá no aspecto financeiro.
Desde que a medida entrou em vigor, os EUA podem punir instituições que considerar omissas no combate às facções ao não barrar clientes com algum tipo de elo com organizações criminosas, ainda que involuntariamente.
Como mostrou a Folha, empresas brasileiras passaram a vasculhar dados internos para identificar parceiros com potenciais conexões com alguma das organizações criminosas —sejam clientes, fornecedores ou prestadores de serviço.
A mais recente rodada do Datafolha mostra também que o público evangélico (70%) concorda mais com a mudança na condição do PCC e do CV do que o católico (56%).
O mesmo cenário ocorre para aqueles que declaram ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Conforme o levantamento, 81% daqueles que optaram por Bolsonaro na última disputa nacional concordam com a iniciativa. Entre os de Lula, 38%.
A margem de erro para o voto em 2022 é de 3 a 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. Já para o segmento religioso, varia de 3 a 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Não há grandes diferenças no recorte por região. Sudeste, Sul e Centro-Oeste empatam dentro da margem de erro, com percentuais de concordância entre 60% e 64%. O menor está no Nordeste, onde 53% dizem concordar com a iniciativa de Trump. No segmento por região, a margem de erro varia de 3 a 6 pontos percentuais.
A mudança tem mais apoio entre os mais jovens e os mais escolarizados.
Segundo o Datafolha, 65% daqueles que têm entre 16 a 44 anos concordam com a iniciativa. Entre aqueles com ensino superior, o índice é de 64%.
A mudança que tornou PCC e CV terroristas do ponto de vista americano vinha sendo ensaiada pelo presidente dos Estados Unidos desde o início do ano.
O governo Lula, por outro lado, dizia a interlocutores atuar para evitar ou postergar a medida.
Interlocutores do petista diziam a aliados temer a possibilidade de intervenções americanas sobre o Brasil e o potencial desgaste eleitoral, já que o presidente deve buscar a reeleição.
O Datafolha também perguntou aos entrevistados se concordam ou discordam de determinadas afirmações sobre o tema.
Ao todo, 50% dos brasileiros concordam com a declaração de que "o governo dos Estados Unidos quer combater as facções criminosas no Brasil para ajudar a população brasileira".
Outros 47% dizem que o governo dos Estados Unidos está usando as facções criminosas como desculpa para mandar no Brasil (entre as mulheres, 50%, e entre os homens, 44%).
O menor percentual geral se dá para aqueles que concordam com a possibilidade de que os EUA "têm o direito de atacar membros de facções criminosas dentro do Brasil sem avisar ao governo brasileiro": segundo a pesquisa, 22% concordam com essa hipótese.
Neste último caso, a maior parcela dos que concordam é homem (30%) e declarou voto em Jair Bolsonaro em 2022 (40%). Já os eleitores de Lula que avalizam a ideia de ataque sem aviso prévio somam 8%.
A decisão sobre classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas veio dias após uma agenda com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio teve influência na decisão dos EUA para 54% dos brasileiros, e a maioria (71%) daqueles que vê influência dele no caso declarou ter votado em Lula em 2022.
A maioria (57%) acha que a atuação do filho mais velho de Jair foi negativa para o Brasil, enquanto 37% veem aspectos positivos. Outros 3% dizem que a influência do filho mais velho do ex-presidente não foi nem positiva nem negativa e 2% não souberam responder.

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3 horas atrás
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