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Endividado, agro espera socorro federal mesmo liderando isenções fiscais

Bastos Filho alerta, porém, que o refinanciamento "não vai apagar a dívida". A solução exigiria rígido controle de fluxo de caixa nas propriedades rurais. "Sem essa mexida de gestão de risco, qualquer renegociação só adia o problema."

Além das crise climática, os juros elevados da economia e "fragilidade fiscal" pressionam o agro. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que em abril entregou ao Ministério da Agricultura um documento em que pedia R$ 623 bilhões ao atual Plano Safra. "Diante da instabilidade internacional, fragilidade fiscal, juros elevados, risco climático e deterioração financeira do setor, o ambiente de produção agropecuária torna-se significativamente mais arriscado e menos previsível nesta próxima safra", diz o documento.

Sem o socorro do governo, a inflação dos alimentos seria ainda maior. Em maio, por exemplo, ela foi de 1,33%, contra uma inflação geral de 0,58%, segundo os dados mais recentes do IPCA (inflação oficial do país). "As consequências desse cenário vão além do produtor rural, afetando diretamente a inflação de alimentos, o abastecimento e a segurança alimentar", diz a entidade.

Dívidas afetam Banco do Brasil

A crise de rentabilidade do agronegócio contaminou os resultados do maior financiador do campo no país. O Banco do Brasil concede R$ 60 de cada R$ 100 emprestados aos produtores para o plantio e compra de máquinas. O banco domina o crédito agrícola nacional com uma carteira de R$ 406,1 bilhões em 2025, um terço de tudo o que instituição emprestou no período.

Esse controle transformou a crise do campo em um problema para o banco. A taxa de clientes do agro com parcelas atrasadas há mais de 90 dias atingiu a marca de 6% em 2025, superando o índice geral de calotes do banco (5,17%).

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