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Ex-policial penal bolsonarista que matou petista em Foz do Iguaçu vai para prisão domiciliar

O ex-policial penal Jorge Guaranho, condenado em 2025 pela morte do guarda municipal e militante petista Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu (PR), recebeu autorização para cumprir pena em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, em razão de problemas de saúde.

A decisão foi assinada pela juíza Laryssa Angelica Copack Muniz, da Vara de Execuções Penais, no dia 17 de março. No dia seguinte ele foi levado a Foz do Iguaçu. O Ministério Público se manifestou a favor da prisão domiciliar.

Em 13 de fevereiro de 2025, Guaranho foi condenado no Tribunal do Júri em Curitiba a uma pena de 20 anos de prisão em regime inicial fechado. Ele cumpria pena há cerca de um ano no CMP (Complexo Médico Penal), em Pinhais, na região metropolitana da capital.

A juíza entendeu que ficou comprovado que ele tem sequelas de trauma "comprometedoras de sua qualidade de vida e autonomia para as atividades de vida diária" e que não há dúvidas sobre a necessidade de cuidados e tratamentos especializados.

"É razoável a extensão da prisão domiciliar à pessoa sentenciada do regime fechado, posto que o ambiente prisional não fornece adequadamente as condições para o tratamento de sua enfermidade", escreveu ela.

A advogada de defesa, Amanda Nocera, afirmou em nota que a decisão "não representa impunidade, nem altera o curso da execução penal, assegurando apenas que o cumprimento da pena ocorra em condições compatíveis com o estado de saúde do apenado".

"A defesa reafirma seu respeito ao devido processo legal, às instituições e à seriedade do caso, especialmente diante de sua repercussão, reconhecendo que a decisão proferida se mostra juridicamente adequada e alinhada aos princípios da execução penal", diz a advogada.

O ex-policial penal foi condenado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil (divergência política) e perigo comum (disparo de tiros em um ambiente com outras pessoas). As sequelas físicas mencionadas pela defesa têm relação com o dia do crime.

Em 9 de julho de 2022, Guaranho invadiu a festa de Marcelo, que comemorava 50 anos de idade no salão de um clube em Foz do Iguaçu, junto com familiares e amigos.

O petista usava uma camiseta com a imagem do então candidato Lula, e a decoração fazia referências ao PT, como balões vermelhos. Guaranho e Marcelo não se conheciam, mas, ao saber do tema da festa, o então policial penal resolveu ir até o local gritando o nome de Jair Bolsonaro (PL) em provocação aos convidados.

No equipamento de som de seu carro, ligou uma playlist com músicas da campanha do então presidente. Marcelo respondeu à provocação, gritando "[Bolsonaro] na cadeia", e, após uma rápida discussão com Guaranho, pegou terra e jogou no carro do policial penal. Guaranho foi embora, mas voltou pouco tempo depois.

Na segunda vez que apareceu na festa, Guaranho desceu do carro, e a policial civil Pamela Silva, companheira de Marcelo, mostrou seu distintivo, pedindo que ele fosse embora. Mas Guaranho viu Marcelo ao fundo, atrás de Pamela, e começou a atirar nele.

Marcelo foi atingido com dois tiros. Ele chegou a ser levado para um hospital, mas morreu na madrugada do dia seguinte, 10 de julho.

Mesmo caído após ser alvejado por Guaranho, Marcelo conseguiu disparar contra o policial penal, que foi ao chão e também levou chutes de três homens. Ele ficou internado em um hospital e foi preso na sequência.

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