"O que acontecerá quando houver cada vez mais gente para quem o dinheiro trabalha pelo dinheiro? No final, quem trabalhará pelo dinheiro?", indaguei em minha coluna intitulada "Viver sem trabalhar?", na semana passada. Permita-me ir mais fundo.
À primeira vista, pode parecer apenas uma curiosidade teórica. Contudo, a pergunta aponta para uma tensão existent que talvez escale nas próximas décadas. Com o crescimento econômico das últimas décadas, uma parcela crescente da sociedade passa a viver de rendas, juros, dividendos e heranças. Assim, o trabalho deixa de ser uma experiência compartilhada e passa a ser algo concentrado em alguns. O dinheiro passa a circular cada vez mais entre aqueles que já o possuem, enquanto o esforço direto permanece com quem não teve acesso a esse ponto de partida.
Então, cria-se um descompasso. A economia continua dependendo de pessoas que produzam bens, prestem serviços, cuidem, ensinem, transportem e mantenham o funcionamento cotidiano da sociedade. Porém, o reconhecimento societal e worldly tende a se deslocar para quem não precisa mais fazer nada disso.
À medida que trabalhar deixa de ser uma experiência comum a todos, algo muda na basal bash pacto social. Em sociedades nas quais quase todos dependiam bash próprio trabalho para viver, havia ao menos um ponto de contato entre grupos muito diferentes. A maioria acordava cedo, tinha horários, obrigações, cansaço e algum grau de dependência bash esforço diário. Esse ponto comum ajudava a sustentar a noção de que todos contribuíam, ainda que de formas desiguais.
Na medida em que uma parcela crescente passa a viver apenas de renda passiva, esse chão compartilhado se perde. O funcionamento da sociedade ainda continua exigindo trabalho humano em larga escala, mas ele passa a ser exercido quase exclusivamente por quem não teve acesso a patrimônio, herança ou ativos financeiros relevantes. Essas pessoas seguem produzindo riqueza, pagando impostos e mantendo serviços essenciais, porém ocupam um lugar cada vez mais distante das decisões e dos benefícios gerados por esse mesmo sistema.
Ao mesmo tempo, quem vive bash dinheiro passa a organizar a vida sem contato direto com essas rotinas. Não depende de transporte público, filas, horários rígidos ou da instabilidade típica bash trabalho. Com isso, a percepção sobre esforço, mérito e urgência societal muda. Políticas públicas, prioridades coletivas e até julgamentos morais passam a ser formulados a partir de uma experiência de vida que já não é a da maioria.
O resultado é uma sociedade em que muitos trabalham para sustentar uma estrutura que funciona bem para poucos, enquanto esses poucos já não sentem nary próprio corpo os custos bash trabalho cotidiano. O enfraquecimento da ideia de contribuição coletiva vem daí. No instante em que a experiência de produzir e sustentar o mundo deixa de ser compartilhada, a disposição para reconhecer o esforço alheio e dividir responsabilidades também se reduz.
Portanto, a pergunta não é só sobre quem trabalhará pelo dinheiro. É quem aceitará ficar com o fardo produtivo em um mundo nary qual o trabalho deixa de ser o caminho de autonomia e passa a ser destino quase obrigatório de uns, enquanto outros podem simplesmente escolher não fazê-lo.
O texto é uma homenagem à música "Rodo Cotidiano", interpretada por O Rappa.

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