O uso de redes sociais pode induzir usuários indecisos a mudar suas opções de voto de última hora, segundo um estudo publicado pela Universidade de São Paulo (USP). A análise simulou o comportamento de grupos conectados em plataformas digitais, e entendeu que, quanto mais polarizado for o ambiente online, maior a chance de surgirem consensos rápidos e frágeis, sujeitos a viradas repentinas perto das eleições. Para os autores, compreender essas dinâmicas é importante para formular políticas públicas, desenvolver estratégias de regulação de redes sociais e combater a desinformação para fortalecer a democracia. A seguir, saiba mais sobre a pesquisa e entenda como as redes podem impactar o resultado eleitoral.
Redes sociais podem mudar votos às vésperas da eleição; entenda — Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE O estudo, disponibilizado em agosto de 2024, foi conduzido pelos professores Kádmo Laxa e Antonio Galves, pesquisadores do Instituto de Física da USP, que criaram um modelo matemático para simular como opiniões se formam e se modificam nas redes sociais. Cada pessoa foi representada como um "nó" conectado a outros, em um sistema que imita as interações em plataformas como o X (antigo Twitter) ou Facebook. O modelo analisou como pressões sociais impactam as decisões eleitorais das pessoas ao longo do tempo.
Os cientistas testaram diferentes cenários, variando o nível de polarização e a diversidade das conexões, que podiam ser "bolhas" fechadas ou redes mais diversas. Em contextos mais polarizados, os grupos tendiam a chegar rapidamente a um consenso, ou seja, todos compartilhavam a mesma opinião. Mas essa concordância era instável e podia se desfazer com pequenas mudanças como novas informações ou eventos inesperados.
Estudo sobre redes sociais foi produzido no Instituto de Física da USP — Foto: Reprodução/IFUSP Na segunda parte da pesquisa, os autores incluíram um elemento externo: um “robô” que atuava como um perfil automatizado ou influenciador, programado para repetir constantemente a mesma opinião. Quando esse bot era inserido em redes muito polarizadas, era possível orientar a opinião coletiva na direção que desejada rapidamente. Essa simulação ajuda a entender como campanhas políticas, robôs de verdade e até da disseminação organizada de desinformação impactam as eleições.
Um dos principais achados do estudo é que ambientes polarizados favorecem a formação de consensos rápidos, mas não necessariamente sólidos. Muitas vezes, as pessoas concordam com uma ideia por influência do grupo, no chamado "efeito manada". Como esse tipo de adesão é superficial, basta que surjam novos fatos, como um escândalo ou uma fake news, para gerar uma reviravolta e fazer a rede mudar de opinião. Essa dinâmica ajuda a explicar por que certos candidatos ganham força nas redes dias antes da votação ou como campanhas políticas conseguem virar o jogo nos últimos momentos. As redes sociais funcionam como um campo de disputa, onde ideias, emoções e narrativas se espalham com alta velocidade.
Usuários de redes sociais podem mudar de voto de última hora em ambientes polarizados — Foto: Mariana Saguias/Techtudo O estudo destaca ainda que o “consenso” observado nas simulações não significa que todos concordam completamente com uma determinada ideia. A maioria tende a seguir suas conexões na mesma direção, mas esse comportamento pode ser revertido rapidamente. Segundo os autores, esse efeito se intensifica na presença de influências externas relevantes, como perfis com alto alcance, campanhas coordenadas ou robôs programados para disseminar uma mensagem. Com isso, o modelo ajuda a entender o impacto político de influenciadores digitais e de estratégias de comunicação que visam condicionar a opinião pública.
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9 meses atrás
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