"Eu vendia um contrato e comprava o sofá do escritório. Vendia outro contrato e comprava a cadeira. Nunca misturei o dinheiro da Madame Fiori com o meu. Sempre fui muito cautelosa", relata.
Como toda empreendedora no início do negócio, Vanessa Figueiredo executava todas as funções da empresa: de produtora ao atendimento. Pouco a pouco, conseguiu contratar funcionários, ampliar o time e crescer no mercado de casamentos.

Crescendo aos poucos
Após sete anos com a empresa de decoração, Figueiredo decidiu que era hora de investir em seu próprio espaço de eventos: a Casa Lucci. Para isso, precisava de dinheiro — para compra e reforma. A solução foi vender o carro. "E nem fiz tudo de uma vez. Conforme a empresa foi ganhando dinheiro, fui reformando aos poucos", conta.
O ano era 2017. "Foi um mundo completamente novo para mim. Eu vinha da decoração e quis pivotar para crescer, porque já fazia sete, oito eventos por final de semana com decoração. Para mim, aquilo estava pouco", relembra.
Foi adquirindo experiência e administrando duas empresas — a casa de eventos e o negócio de decoração — que ela percebeu que poderia estar envolvida em todo o processo: ajudar os noivos a resolver tudo em um só lugar, diminuindo burocracias.
"Trouxe todos os serviços para dentro do espaço e comecei a entregar o evento completo, mesmo que, nessa época, não focasse só em casamento. Foi um grande aprendizado. Era o começo de tudo", conta.
Quanto mais festas, melhor
Três anos após a primeira empreitada, veio a compra do segundo espaço de eventos. Figueiredo queria crescer e buscava esses caminhos. Ela só não imaginava que um grande obstáculo estava chegando: a pandemia.
Seu negócio não estagnou; pelo contrário, cresceu. Mesmo se tratando de eventos — algo proibido por um período —, ela estava organizada financeiramente e com dinheiro em caixa para se manter enquanto as festas não voltavam.
"Saímos da pandemia entregando não só os nossos eventos já combinados, mas também os dos espaços que adquirimos no período. Esse era o maior medo dos antigos donos: ter eventos para entregar e não ter dinheiro para realizá-los", diz.
Aporte fez o negócio disparar

Em 2022, Vanessa ganhou um sócio: seu marido, que entrou na empresa focado em captação de capital e crescimento. Sua função, como CEO, era direcionar a expansão. Em um ano, a empresa passou de quatro para doze casas de eventos.
Com tantas unidades diferentes, a marca inicial acabou se perdendo. Um rebrand foi necessário para comunicar aos clientes e ao mercado quem eles eram.
"Foi aí que nasceu a Welucci. O grande diferencial é que ela é totalmente focada em casamento. Hoje, no Brasil, não existe uma marca voltada exclusivamente para isso", explica.
Quem fecha evento com a empresa não precisa se preocupar com nada. De buffet a lembrancinhas, tudo é feito no mesmo lugar.
"A gestão financeira dos noivos melhora muito, porque administrar vários fornecedores é uma bagunça. Falar com dez decoradores, dez docerias e decidir tudo isso exige tempo. Tiramos essa demanda. Temos a expertise que eles não precisam ter", explica.
Em 2025, a Welucci recebeu um aporte de R$ 50 milhões da EB Capital, e o plano é chegar a 100 espaços em todo o Brasil até 2029. O faturamento da empresa no ano passado foi 80 milhões.
Mesmo com esse investimento robusto, todas as decisões da empresa seguem sendo tomadas por quem vive o negócio desde o começo.
"Quando o investimento entrou, as decisões já estavam todas planejadas para os próximos cinco anos. Não há interferência no dia a dia, só se decidirmos mudar os planos", afirma Vanessa.

Criando conexões
Vanessa conhece bem os riscos de empreender. "Eu confiei na força do trabalho, na persistência, em acordar cedo e fazer acontecer", diz. Sua mais recente novidade é a criação da "WeTogether", encontros com clientes para fortalecer relações.
"O nosso propósito é fomentar relacionamentos de longo prazo. Acreditamos muito na família e em relações que duram. Criamos o WeTogether, um evento para casais que já casaram com a gente", explica.
Não é uma festa, mas um evento social, com talks, palestras e trocas de experiências. "É algo que me dá muito orgulho, porque é fazer um pouquinho de diferença no mundo", conclui.

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