Sessenta dias após a aprovação da PEC seria um "prazo extremamente curto" para um setor que trabalha com planejamento de longo prazo. "Seria uma implementação quase imediata de uma medida com forte impacto sobre os custos", diz o vice-presidente financeiro da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Eduardo Aroeira.
A consequência, diz o executivo, será a elevação de preços. "Um aumento automático e desproporcional da ordem de 6% no preço dos imóveis de habitação de interesse social."
Já a indústria defende que a jornada seja negociada entre empresas e trabalhadores. Para o setor, cada segmento da economia possui demandas próprias. "O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores", diz em nota o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf.
A Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) quer quatro anos de carência e socorro financeiro estatal. "O setor produtivo precisa ser compensado de alguma forma, seja com redução de impostos, crédito financeiro correspondente ao seu aumento de custo e acesso a linhas de financiamento subsidiadas para modernização dos parques fabris", diz Guilherme Hakme, diretor da Fiep.
A indústria de máquinas e equipamentos endossa a necessidade de prazo maior. "Para atingir as quatro horas, seriam necessários quatro anos", argumenta José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
O setor lida com contratos de longo prazo em que o custo da mão de obra já está precificado. "Não consigo repassar o aumento de custo porque já está fechado", diz Velloso, que teme não encontrar trabalhador para atuar nas folgas dos contratados. "Corro o risco de ter atrasos porque falta mão de obra treinada."

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